Turismo Interno em Angola: Sinal de alerta que está à vista
Estamos numa altura em que muito se fala de turismo. Fala-se de crescimento, de entradas internacionais, de promoção externa e de novos investimentos. No entanto, basta olhar para o próximo fim de semana prolongado para perceber que há um sinal que não pode ser ignorado.
Há poucos anos, províncias como Benguela, Huíla e Namibe estariam praticamente esgotadas uma ou duas semanas antes de datas semelhantes. Hoje, quinta-feira, dia 12, ainda existem vagas para entrar no dia 13 e sair no dia 17.
Isto não é um detalhe. É um indicador.
A procura está a diminuir
O que se nota de forma clara é uma redução da procura. Durante anos, os fins de semana prolongados eram verdadeiros picos de ocupação. Eram o motor do turismo interno e garantiam receitas que sustentavam meses mais fracos.
Se nos fins de semana prolongados já se sente quebra, o que acontece nos restantes meses do ano?
A consequência é evidente: as taxas médias de ocupação mensais descem, as taxas anuais também, a rentabilidade das unidades reduz e a capacidade de investimento diminui.
E a razão principal é simples: o turismo que sustenta Angola é o turismo interno.
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Turismo internacional ainda é residual
Muito se fala das entradas internacionais. Fala-se em cerca de 205 mil visitantes com visto de turismo. É um número positivo? Sim. É suficiente? Não.
Para um país com a dimensão territorial de Angola e com dezenas de destinos potenciais, esse número ainda é reduzido. O turismo internacional ainda não tem escala para sustentar a hotelaria fora de Luanda, destinos de lazer ou projetos emergentes.
Quem mantém o setor vivo é o mercado interno. E esse mercado está a retrair.
As razões da retração
- Menos viagens longas - As famílias viajam menos para destinos distantes. O custo global da viagem pesa cada vez mais nas decisões.
- Estradas como fator limitador - Destinos como o Namibe continuam penalizados pela ausência de infraestruturas estruturantes. O troço da EN100 entre o Cimo e a Lucira continua a ser uma fragilidade crítica. Essa ligação poderia transformar o Namibe num destino ainda mais competitivo, facilitando o acesso rodoviário desde Luanda. Sem uma estrada funcional, o destino fica dependente quase exclusivamente do transporte aéreo.
- Dependência aérea excessiva - O Namibe depende praticamente da TAAG Angola Airlines. Com apenas três voos semanais, torna-se evidente que a oferta é limitada. Os voos esgotam, não há flexibilidade e não existe concorrência.
Se o principal emissor é Luanda e não há capacidade aérea suficiente, o destino fica bloqueado, mesmo existindo disponibilidade hoteleira.
O Paradoxo Atual
Temos hotéis com quartos disponíveis. Mas temos aviões cheios, estradas deficientes e transporte rodoviário pouco estruturado.
O resultado é capacidade instalada ociosa. E quando há capacidade instalada sem procura, o setor enfraquece.
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O Verdadeiro Debate
Não é apenas uma questão de promoção. É uma questão estrutural.
Se o turismo interno enfraquece, o setor perde estabilidade, o investimento desacelera e a sustentabilidade económica fica em risco. Antes de falarmos apenas de crescimento internacional, precisamos consolidar o mercado interno.
Sem base interna forte, não há estabilidade.
Conclusão
- O que estamos a viver neste fim de semana prolongado não é um episódio isolado. É um sintoma.
- Se o turismo interno continua a retrair, as ocupações vão continuar a descer, a rentabilidade vai reduzir e o setor vai fragilizar-se.
- Angola precisa de olhar para o turismo como um sistema integrado. Infraestrutura, transporte, conectividade e dados precisam de caminhar juntos.
- O turismo interno não é apenas uma parte do setor. É a sua base. E quando a base enfraquece, todo o edifício sente.
Atenciosamente
Jorge Nunes
www.hoteisangola.com
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