Este roteiro é um convite a conhecer Moçâmedes com tempo e atenção, percorrendo algumas das ruas mais marcantes da cidade e da sua envolvente. Entre o mar e o deserto, o percurso passa por espaços históricos e pontos que ajudam a perceber a identidade e o ritmo desta região do sul de Angola.
É um circuito pensado para quem quer sentir e conhecer Moçâmedes, observar, caminhar, fotografar e ouvir histórias locais, sem pressa. Ideal tanto para quem visita Moçâmedes pela primeira vez como para quem quer redescobrir a cidade de uma forma mais próxima e autêntica.
Mapa do Roteiro
...... Da Praia das Miragens á Arte Mbali.....
Informação Complementar
Praia das Miragens (Marginal) - Esta praia é já um dos cartões postais da Província do Namibe. A Praia da Miragem está localizada no centro da cidade, na marginal onde estão localizados grande parte dos restaurantes e bares do Namibe. Quando o calor aperta, a praia enche-se de tal forma que a marginal ganha uma vida alegre e veranil, com vários comerciantes de rua, com os bares e restaurantes a funcionar a todo o vapor.
Cine Estudio Namibe - Em 1973, os proprietários do Cine-Moçâmedes, os Senhores Bauleth, Eurico e Gaspar, fazem uma encomenda ao Atelier Boper um projeto de um novo edifício de cinema para a cidade. A sua implantação ocuparia um lugar crucial para o desenvolvimento do plano urbano, o qual não chega a concretizar-se devido a uma grande evasão demográfica aquando dos movimentos populares que antecedem a independência do país. O cinema, por muitos apelidado como “a nave espacial”, encontra-se implantado sobre um terreno baldio, na intersecção da nova avenida para o novo aeroporto, que começa a ser construída em Janeiro de 1974.
Igreja de Santo Adrião - A Igreja Paroquial de Santo Adrião de Moçâmedes começou a ser erguida em 27 de Julho de 1849. Por Instruções Provinciais, de 30 de Março desse ano, emanadas do Governador Geral Acácio Adrião da Silveira Pinto, encarregando o major Ferreira Horta de"construir um templo de dimensões suficientes para albergar "não só todos os habitantes da colónia, como ainda os indígenas vizinhos, que viessem à povoação assistir aos actos religiosos, ou que em dias santificados nela se encontrassem".
Palácio de Moçâmedes - Sóbrio e imponente, de arquitectura clássica tipicamente oitocentista, o Palácio ostenta fachada dividida em três corpos, sendo o corpo central encimado por um frontão triangular, no meio do qual se encontravam as quinas portuguesas. Quem entrasse na baía de Moçâmedes, fazendo-se transportar por um qualquer navio, traineira ou embarcação, de imediato se apercebia da presença deste Palácio, situado a oeste da cidade, implantado sobre um terreno elevado (a uns 20 metros acima do nível do mar), dominando toda a baía.
Fortaleza de São Fernando (Fortaleza do Namibe) - Erguida pelos navegadores portugueses no século XIX (1838 – 1844), no então Morro da Ponta Negra, a estrutura serve como Base Naval do Namibe (BNN), desde 1991. Remonta à primeira metade do século XIX, no contexto da colonização Portuguesa da baía do Namibe, com a função de defesa do presídio (estabelecimento militar de colonização) ali fundado.
Edifício do Tribunal de Moçâmedes - Embora o serviço tenha sido modernizado, a instituição funciona frequentemente em edifícios que fazem parte do património histórico edificado da cidade, convivendo com outros marcos como o Governo Provincial e o Banco Nacional de Angola. O Tribunal de Comarca de Moçâmedes foi oficialmente inaugurado em 9 de julho de 2019, no âmbito da implementação do novo mapa judiciário de Angola.
Caracteriza-se por uma malha urbana ortogonal e edifícios de traço colonial português, concentrados principalmente na área perpendicular à baía.
Jardim de Moçâmedes - "Jardim Milionário" - É um histórico e belíssimo espaço verde revitalizado em Moçâmedes, famoso pela sua beleza e design que remonta à era colonial, com um projeto recente de requalificação que incluiu plantação de árvores e criação de lazer, tornando-o um local de orgulho e encontro para a população local, apesar de desafios passados com a manutenção. Deu-se a inauguração como um acto simbólico de homenagem a Eduardo Mondlane, figura histórica da luta de libertação de Moçambique, cujo nome foi atribuído ao jardim.
Cine Teatro de Moçâmedes - Beneficiando de uma situação privilegiada, quase a meio da Rua da Praia do Bonfim, a olhar para a Avenida, num local onde nos anos 1940 havia um pequeno largo ajardinado denominado Jardim da Colónia. Para o qual estava reservado o monumentos aos colono fundadores, eis o Cine Teatro de Moçâmedes, o popular "Cinema do Eurico", dotado de uma traça arquitectónica considerada revolucionária para a época, a ARTE DÉCO, essa maravilha que foi trampolim decisivo para a arquitectura modernista.
O Edifício da Alfândega do Namibe - Destacando-se pela sua arquitetura do Estado Novo com arcadas, torreão circular e um belo interior com escadaria monumental, sendo um símbolo da história portuária e bancária angolana, classificado como património histórico-cultural. Inaugurado a 7 de Setembro de 1956, pelo então Presidente português Craveiro Lopes, serviu como agência do Banco de Angola e, após 1976, do Banco Nacional de Angola (BNA), tendo sido declarado património histórico-cultural em 8 de Abril de 1995.
Museu Provincial do Namibe - Identificado como: Guardião da Memória do Sul de Angola, no centro histórico de Moçâmedes, o Museu Regional do Namibe afirma-se como uma das mais importantes instituições culturais do sul de Angola, desempenhando um papel decisivo na preservação da memória colectiva, da identidade cultural e da diversidade natural da província. Actualmente, comporta o Gabinete Provincial da Cultura e Turismo do Namibe, o Museu Provincial possui ainda anexos: galerias, e áreas de serviço.
Arte Mbali - Poucos territórios em Angola guardam uma expressão artística tão singular quanto o Namibe. Entre Moçâmedes e Bentiaba encontra-se a arte Mbali, também registada como Mbari, uma tradição funerária que faz da memória um objecto artístico e que coloca esta região no patamar mais elevado da antropologia africana. Aqui, a arte não se limita a representar a morte: interpreta-a, ritualiza-a e devolve-a à comunidade como símbolo identitário.
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