Ocupação hoteleira em Angola 2024 e 2025
Números que merecem reconhecimento e um estudo aprofundado
As taxas médias nacionais divulgadas para 2024 e 2025 são encorajadoras. Precisamente pela sua relevância, importa compreender como foram apuradas e como se relacionam com a realidade sentida pelos operadores turísticos.
Uma taxa média nacional de ocupação hoteleira de
72,6% em 2024 e de
72% em 2025 merece a nossa atenção. O primeiro valor foi divulgado pelo manual de investimento apresentado em Berlim; o segundo foi anunciado na mensagem sobre o Estado da Nação, em Outubro de 2026, que referiu também uma ocupação de 75% nos restantes meios de alojamento. São indicadores expressivos, que colocam em evidência uma utilização significativa da capacidade de alojamento do país.
Para quem trabalha diariamente na promoção do turismo em Angola, estes resultados são motivo de interesse e reconhecimento. Queremos unidades hoteleiras com clientes, empresas capazes de manter empregos e destinos que beneficiem da circulação de pessoas. Uma ocupação elevada, quando acompanhada de receitas adequadas e de uma actividade sustentável, é uma boa notícia para toda a cadeia do turismo.
É precisamente por valorizarmos estes números que consideramos necessário conhecê-los melhor.
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15 000 kz
Entre a média nacional e a realidade que sentimos
No contacto diário que mantemos através do hoteisangola.com, sentimos uma redução da procura. Esta percepção é igualmente partilhada pelos parceiros com quem temos abordado o assunto, que nos transmitem preocupação com a evolução da actividade.
Este acompanhamento não constitui, por si só, um estudo estatístico nacional. Também seria incorrecto utilizar a percepção actual para desmentir automaticamente resultados referentes a 2024 e 2025. Podemos estar perante uma alteração mais recente da procura, diferenças entre regiões ou comportamentos distintos entre categorias de alojamento.
Ainda assim, a distância entre os indicadores divulgados e a experiência relatada pelos operadores justifica uma análise aprofundada.
Precisamos de perceber onde se concentra a ocupação, que unidades contribuem mais para a média nacional e quais os segmentos de clientes que a sustentam. Precisamos, igualmente, de saber se o desempenho anunciado se distribui pelo território ou se existem diferenças acentuadas entre destinos.
Uma média nacional é importante, mas não explica, sozinha, o estado do sector.
O que significa uma ocupação média de 72%?
Se estivermos a falar de uma taxa anual de ocupação de quartos, calculada sobre toda a oferta disponível durante o ano, 72% corresponde, de forma ilustrativa, a um hotel de 100 quartos ter, em média, 72 ocupados por noite.
É um resultado relevante. Por isso, importa esclarecer se os valores divulgados correspondem à ocupação de quartos ou de camas, quais os estabelecimentos abrangidos e como foi calculada a média.
Também é necessário conhecer a cobertura da recolha: quantas unidades forneceram informação, que peso representam na capacidade nacional e como foram tratados os períodos sem resposta ou de encerramento.
A ponderação tem igualmente importância. Um hotel de 200 quartos e uma unidade de dez quartos não representam a mesma capacidade de alojamento. Uma média simples das respectivas taxas pode produzir um resultado diferente daquele que se obtém considerando o total de quartos ocupados e disponíveis.
Dar a conhecer a metodologia reforça a credibilidade dos dados e permite que o sector os utilize com confiança.
Conhecer as diferenças para tomar melhores decisões
Um estudo aprofundado deveria apresentar resultados por província, município, categoria de estabelecimento e mês do ano. Deveria permitir distinguir a actividade durante a semana da procura aos fins-de-semana, bem como separar os períodos habituais dos feriados e grandes eventos.
Seria igualmente útil compreender a composição da procura: viagens de negócios, deslocações em serviço, lazer, eventos ou estadias prolongadas. Todas estas formas de utilização do alojamento têm valor económico, mas colocam necessidades diferentes aos destinos e às empresas.
Se a ocupação estiver concentrada em determinadas regiões ou segmentos, precisamos de identificar os factores que explicam esse desempenho. Onde existem bons resultados, importa aprender com eles. Onde a procura é insuficiente, importa perceber os obstáculos e preparar respostas adequadas.
A análise deve ainda cruzar a ocupação com o preço médio praticado e a receita por quarto disponível. Ter quartos ocupados é fundamental, mas a sustentabilidade de uma unidade depende também do rendimento que essa ocupação gera e dos custos necessários para a manter.
Um estudo com a participação dos operadores
A nossa proposta é que estes indicadores sirvam de ponto de partida para um trabalho conjunto entre o Ministério do Turismo, o Instituto Nacional de Estatística, os serviços provinciais, as associações empresariais, as unidades de alojamento e os restantes agentes do sector.
Esse trabalho deveria esclarecer os resultados de 2024 e 2025 e acompanhar a evolução de 2026, permitindo perceber se a redução da procura que hoje sentimos é localizada, sazonal ou mais abrangente.
Os operadores podem contribuir com informação sobre reservas, cancelamentos, antecedência de compra, duração das estadias e evolução dos preços. As plataformas de promoção e distribuição podem acrescentar sinais sobre pesquisas e pedidos de informação, distinguindo sempre o interesse manifestado das reservas efectivamente concretizadas.
Com critérios comuns e salvaguarda da confidencialidade comercial, seria possível construir uma leitura mais completa e útil da actividade.
8.8
em Benguela, Angola
de 90000 kz / dia
7.4
em Benguela, Angola
de 45000 kz / dia
6.9
em Lobito, Angola
de 36800 kz / dia
8.3
em Talamajamba, Angola
de 67500 kz / dia
8.4
em Sumbe, Angola
de 59910 kz / dia
8.4
em Lubango, Angola
de 105000 kz / dia
8.2
em Lubango, Angola
de 65000 kz / dia
9.3
em Lubango, Angola
de 101440 kz / dia
8.0
em Cabo Ledo, Angola
de 92500 kz / dia
8.1
em Mussulo, Angola
de 85000 kz / dia
9.2
em Soyo, Angola
de 52965 kz / dia
em Cabo Ledo, Angola
de 70000 kz / dia
em Luanda \ Ingombota, Angola
de 88550 kz / dia
6.8
em Talatona, Angola
de 258750 kz / dia
7.8
em Kalandula, Angola
de 65000 kz / dia
7.8
em Cabinda, Angola
de 57900 kz / dia
9.5
em Cacuso, Angola
de 93440 kz / dia
8.1
em Baía Azul, Angola
de 115000 kz / dia
8.6
em Mussulo, Angola
de 82500 kz / dia
8.8
em Icolo e Bengo, Angola
de 115000 kz / dia
Valorizar os resultados é também procurar compreendê-los
Os números divulgados merecem ser valorizados. Ao mesmo tempo, as preocupações transmitidas pelos empresários merecem ser ouvidas e estudadas.
Estas duas posições são compatíveis. Podemos reconhecer resultados positivos e pedir maior detalhe. Podemos acolher com satisfação uma taxa nacional elevada e procurar compreender por que razão tantos parceiros nos relatam uma realidade diferente.
O turismo angolano precisa de informação que ajude a investir, corrigir estratégias, organizar a oferta e avaliar o efeito das medidas adoptadas.
Se a média nacional de ocupação se situa acima dos 70%, importa conhecer o que sustenta esse resultado e como os seus benefícios se distribuem. Se a procura está entretanto a baixar, importa identificar essa mudança a tempo.
É com este espírito construtivo que defendemos um estudo aprofundado: para transformar números encorajadores em conhecimento útil e esse conhecimento em melhores decisões para o turismo em Angola.
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Artigo de opinião por: Jorge Nunes
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