BITUR 2025: Uma oportunidade que pode não cumprir o seu propósito
um artigo de opinião: Jorge Nunes
Foi recentemente anunciado que Angola realizará, em outubro, a Bolsa Internacional de Turismo – BITUR 2025, em Luanda. A notícia, que deveria ser recebida como um passo importante para a promoção do turismo nacional, levanta, no entanto, várias preocupações sobre o modelo e os critérios adotados na organização do evento.
Em primeiro lugar, a decisão de realizar uma feira internacional de turismo com a duração de apenas dois dias (segunda e terça-feira) é, na minha opinião, um erro estratégico. O turismo é um setor que se constrói não apenas entre técnicos e decisores, mas sobretudo com o envolvimento do público em geral, que é quem consome e compra o produto turístico. Limitar a feira a dias úteis, em horário laboral, afasta naturalmente visitantes particulares e empresas que poderiam enriquecer o evento. Uma extensão para três dias, abrangendo quinta, sexta e sábado, teria muito maior impacto e participação.
Locais a visitar
Cubango
Mais do que um templo de culto, a catedral representa um importante ponto de referência histórica, cultural e comunitária da cidade.
Lunda Sul
Um tesouro escondido, marcado pela paisagem e pelas crenças locais.
Bie
As águas termais de Chitokota, situadas na localidade de Chilesso, município do Andulo, província do Bié, têm sido uma alternativa para o tratamento de doenças que afectam a pele, sobretudo a sarna.
Uíge
O picanço-de-Braun é uma das aves endémicas mais raras de Angola, ocorrendo apenas nas florestas húmidas do norte do país, sobretudo na província do Uíge.
Tômbua
Esta capela foi edificada no ano de 1950 como cumprimento de uma promessa após Frank Marques (Francisco Marques) receber um prémio de lotaria, sendo dedicada à padroeira das gentes do mar.
Malanje
As Pedras Negras de Pungo Andongo são um espectáculo natural quase surrealista com pedras monumentais que se erguem por entre a vegetação e o serpentear do rio Kwanza.
Caála
A obra é concretização de uma Promessa feita a Deus por um Leigo Católico, que tinha problemas de saúde.
Lubango
A Fenda da Tundavala é um enorme abismo de cerca de 1200 m situado na Serra da Leba, a 18 km do Lubango, na província da Huíla, em Angola.
Lobito
A Restinga de Lobito, também conhecida como Ponta da Restinga, é um acidente geográfico do tipo restinga em Angola.
Cuanza Sul
uma ave que existe apenas numa pequena região
Cuanza Sul
uma presença discreta entre a vegetação
Cuanza Sul
O habitante mais singular da Cumbira é provavelmente o gálago-da-Cumbira, de nome científico Galagoides kumbirensis.
Cabinda
A pintada-preta é uma das aves florestais mais raras de África e uma espécie emblemática das florestas tropicais da província de Cabinda.
Cuanza Sul
O santuário angolano onde a ciência descobriu um novo primata Nas encostas húmidas do Cuanza Sul sobrevive uma floresta extraordinária, habitada por algumas das aves mais raras de Angola e por um pequeno primata nocturno que recebeu deste lu
Bailundo
A Missão Católica do Bimbe, actualmente chamada Janjo, geograficamente, situa-se ao norte da Província do Huambo no Município do Bailundo a 75Km da sede municipal, na Comuna de Luvemba e da sede provincial dista à l50 Km, fazendo fronteira com o Kwanza-Su
Bibala
Localizado no sopé da majestosa Serra da Chela, o cemitério de Capangombe constitui um importante testemunho da presença dos bóeres no sul de Angola. As suas sepulturas, muitas delas construídas em pedra e preservando características típicas dos antigos c
Cuanza Sul
Erguida no final do século XIX sobre um imponente maciço granítico, a Fortaleza da Quibala domina a paisagem e a vila que cresceu aos seus pés.
Cuanza Sul
Cuanza Sul
uma ave de distribuição muito limitada
Cuanza Sul
uma raridade do sub-bosque
Outro equívoco é a escolha do CCTA – Centro de Convenções de Talatona. Apesar de ser um espaço moderno, está distante da realidade que o turismo angolano precisa mostrar. Um evento desta dimensão deveria ser organizado num local acessível e simbólico, como a Marginal de Luanda ou a Baía, onde há condições para montar tendas, caravanas, áreas de campismo e estruturas de animação. Assim, seria possível aliar a feira a mostras gastronómicas, culturais e desportivas, dando uma verdadeira dimensão ao que Angola pode oferecer. A Baía, por exemplo, permitiria incluir demonstrações de desportos náuticos, passeios de catamarã, vela, windsurf ou kitesurf, atividades que traduzem o enorme potencial turístico do país.
Outro ponto crítico é a falta de antecedência na comunicação. Não se pode anunciar uma feira no final de agosto para acontecer no início de outubro, sobretudo quando se pretende atrair operadores internacionais. Eventos desta natureza exigem preparação com muitos meses de antecedência, para que empresas, instituições e potenciais visitantes possam planear a sua participação.
É também necessário refletir sobre o verdadeiro público-alvo da BITUR. Se a feira for pensada apenas para operadores locais e algumas agências estrangeiras, será apenas mais um encontro executivo sem impacto real no setor. O turismo em Angola precisa de ser pensado para o consumidor final, para a juventude, para as famílias, para o setor empresarial nacional, e não apenas para meia dúzia de convidados.
Por fim, não podemos esquecer que o turismo angolano não se resume a hotéis e operadores. O setor inclui campismo, caravanismo, ecoturismo, gastronomia, pesca desportiva, artesanato e cultura, que devem estar representados de forma integrada. A BITUR precisa ser um espaço de convergência e não um palco de iniciativas avulsas.
Se queremos, de facto, promover Angola como destino turístico, é necessário que eventos desta dimensão sejam organizados com visão estratégica, diálogo com os atores do setor e foco no mercado real, já que, neste momento, é maioritariamente nacional. Só assim a feira deixará de ser um ato meramente formal e mediático, para se tornar uma verdadeira alavanca para o turismo angolano.
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