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Os dados do primeiro trimestre de 2026 mostram uma quebra clara na procura turística interna e levantam dúvidas sobre o verdadeiro crescimento do setor em Angola.
Nos últimos tempos tenho acompanhado com atenção aquilo que são os dados do setor e naquilo que é o comportamento dentro da plataforma Hoteisangola.com. E há uma coisa que tenho de dizer de forma clara: não há crescimento.
Quando comparamos o primeiro trimestre de 2026 com o mesmo período de 2025, aquilo que encontramos não é evolução. Em muitos casos, encontramos exatamente o contrário.
O número de reservas não cresceu. O valor médio por reserva não cresceu. O número de pessoas por reserva não cresceu. E o valor por pessoa, em vários casos, caiu.
E isto diz-nos uma coisa muito simples. Mesmo nos casos em que os números parecem iguais, na prática estamos a perder. Porque não estamos sequer a acompanhar a inflação.
Aquilo que estes dados mostram é que há menos gente a viajar dentro de Angola.
E isto é importante dizer, porque durante muito tempo falou-se do turismo interno como a base do setor. Hoje, aquilo que vemos é menos procura, estadias mais curtas e menos dinheiro gasto por viagem.
Isto não acontece por acaso.
Estamos a falar de menos dinheiro a circular, menor poder de compra, dificuldades reais das famílias e também das empresas. Há um conjunto de estrangulamentos na economia que acabam por refletir diretamente no turismo.
Um exemplo muito claro desta realidade são datas que tradicionalmente sempre tiveram uma procura muito elevada. Estamos a falar do fim de ano, Carnaval ou Páscoa. Em anos anteriores, muitas destas localidades esgotavam com semanas de antecedência. Agora, aquilo que vemos é completamente diferente. Ainda existe disponibilidade na véspera desses mesmos períodos e, em alguns casos, as unidades nem chegam a encher.
Hoje existe um discurso muito positivo sobre o turismo em Angola. Mas quando olhamos para os dados reais, a leitura é outra.
Se 2025 já foi um ano fraco, 2026, a manter-se esta tendência, será pior.
E aqui é importante deixar claro: isto não são opiniões. São dados reais, baseados em reservas efetivas.
Ao mesmo tempo que a procura diminui, aquilo que vemos do outro lado é um aumento da pressão sobre quem está no terreno.
Fala-se em novas taxas, como a taxa dos 5% para visitantes internacionais. Os alvarás aumentaram de forma significativa. Para muitas agências de viagens e pequenas unidades hoteleiras, os custos tornaram-se incomportáveis.
E depois há um problema ainda maior. Estamos a aplicar tudo isto de forma igual para todos.
Uma unidade no centro de Luanda não tem nada a ver com uma unidade numa zona onde não há água canalizada, onde não há energia elétrica e onde tudo funciona à base de geradores e camiões-cisterna.
Mas são tratadas exatamente da mesma forma.
Enquanto hotéis e agências enfrentam mais custos e mais exigências, há outras áreas do setor que continuam praticamente sem controlo.
Isto cria um desequilíbrio enorme.
Quem quer trabalhar de forma estruturada tem cada vez mais dificuldade. Quem está fora do sistema continua a operar com menos pressão.
O turismo é um setor estratégico para Angola. Toda a gente sabe disso.
Mas não vale a pena continuarmos a dizer que estamos a crescer quando os dados mostram o contrário.
Neste momento, o setor não está a acompanhar o desenvolvimento do país, não acompanha a inflação e, em alguns indicadores, está claramente em retrocesso.
Se queremos desenvolver o turismo de forma sustentável, temos de começar por olhar para a realidade.
Não podemos continuar a aumentar custos num mercado que está a perder procura.
Não podemos aplicar as mesmas regras a realidades completamente diferentes.
E não podemos continuar a construir um discurso que não corresponde ao que está a acontecer no terreno.
Porque no fim do dia, o mercado responde sempre à realidade. E neste momento, a realidade é simples: há menos procura, menos dinheiro e menos crescimento.
Disponível todos os dias das 08h00 às 22h00. Permite esclarecer dúvidas, apoiar reservas e orientar na escolha das melhores opções de alojamento e serviços turísticos.