
A “Fortaleza de São Miguel” localiza-se no morro da Fortaleza (antigo monte de São Paulo), nas proximidades da ponte da ilha de Luanda, na comuna e município de Ingombota, cidade e província de Luanda, em Angola.
Considerada um dos mais importantes monumentos históricos da capital angolana, a fortaleza destaca-se também por ser apontada como a única fortificação africana onde foram fundidas peças de artilharia.
A história da fortificação está ligada aos primeiros tempos da presença portuguesa em Luanda. Em 1576, Paulo Dias de Novais fundou a vila de São Paulo da Assumpção de Loanda e aproveitou a posição estratégica do morro de São Paulo para estabelecer uma estrutura defensiva.
Com o aumento das ameaças de ataques marítimos e a necessidade de reforçar a defesa da cidade, novas obras foram realizadas ao longo do século XVII. Em 1634 iniciou-se a construção de uma fortificação mais estruturada, com planta quadrangular e baluartes.
Em 1641, Luanda e a fortificação foram tomadas pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, que permaneceu na cidade até 1648. Durante esse período, o forte passou a ser conhecido como Fort Aardenburgh.
Em agosto de 1648, uma expedição comandada por Salvador Correia de Sá e Benevides reconquistou Luanda. Após a recuperação da cidade, o antigo Forte do Morro recebeu o nome de Forte de São Miguel.
Ao longo dos séculos XVII e XVIII, a fortificação passou por sucessivas obras de reconstrução e ampliação, adquirindo progressivamente a configuração que apresenta atualmente. Entre as estruturas acrescentadas encontram-se baluartes, baterias, armazéns e uma grande cisterna conhecida como Cova da Onça.
Por volta de 1770, uma das áreas da fortaleza foi adaptada para a fundição de peças de artilharia, atividade que reforçou a sua importância militar.
Durante o século XIX, a Fortaleza de São Miguel continuou a desempenhar diferentes funções, incluindo a de depósito de degredados. Já no século XX, depois de deixar de cumprir funções militares, passou a acolher o Museu de Angola, criado em 1938, sendo também classificada como Monumento Nacional nesse mesmo ano.
Com o início da Guerra Colonial, em 1961, a fortaleza voltou a assumir funções militares. Após a Independência de Angola, entre 1975 e 1978, foi utilizada pelo Estado-Maior General das FAPLA e, a partir de 31 de julho de 1978, passou a acolher o Museu Central das Forças Armadas.
A fortaleza recebeu intervenções de conservação e, em 1996, foi incluída na Lista Indicativa do Património Mundial da UNESCO.
A Fortaleza de São Miguel é um exemplar de arquitetura militar dos séculos XVII e XVIII, implantado numa posição elevada e estratégica sobre o antigo monte de São Paulo.
A sua estrutura apresenta uma planta poligonal irregular, com baluartes, baterias, muralhas e espaços interiores destinados a diferentes funções militares. No interior encontram-se ainda elementos arquitetónicos históricos, incluindo a antiga capela dedicada a São Miguel e outras estruturas associadas à antiga fortificação.
Na área exterior encontram-se peças de artilharia, viaturas militares e aeronaves utilizadas em diferentes períodos da história militar de Angola.
Mais do que uma antiga estrutura defensiva, a Fortaleza de São Miguel constitui um importante testemunho da história de Luanda e de Angola. A sua longa utilização militar, museológica e patrimonial permite acompanhar diferentes períodos da história do país a partir de um dos pontos históricos mais marcantes da capital.
BibliografiaBOXER, C. R. Salvador de Sá and the Struggle for Brazil and Angola, 1602-1686. 1952.
SANTOS, Nuno. A Fortaleza de São Miguel. Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola, 1967.
Fonte: https://fortalezas.org/?ct=fortaleza&id_fortaleza=517
Alojamento
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