Cubal e Ganda são cidades e municípios da província de Benguela, mais conhecidos pela vida local autêntica, rios e paisagens rurais em Angola.
Breve história do município da Ganda
O município da Ganda tem as suas origens históricas ligadas à fixação das populações nativas e à expansão colonial impulsionada, pelas rotas comerciais e pelo caminho-de-ferro. O Umbundu é a língua nacional, mais falada e utilizada no dia-a-dia pela população local.
O grande motor de desenvolvimento urbano e económico ocorreu no início do século XX(20) com a chegada da linha do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB).
Em 1913, a localidade foi elevada à categoria de sede de circunscrição administrativa. Durante o período colonial até à independência de Angola em 1975, o município foi designado pelo nome oficial de Vila Mariano Machado.
Após a independência, recuperou o nome original de Ganda, e a sua divisão territorial foi reestruturada. Devido às suas terras férteis, tornou-se historicamente conhecida como um dos maiores celeiros agrícolas da província de Benguela.
Vida local e cultural do município da Ganda
O município da Ganda tem um grande potencial em termos industriais, que já no passado foi um dos mais importantes sectores económicos.
Existia uma fábrica de bebidas espirituosas no município vizinho (Babaera) uma fábrica de beneficiação do café (processo mecânico realizado após a colheita e secagem do fruto) torragem e empacotamento, uma fábrica de tijolos, na sede do município, outra de telha na Missão do Ndunde e uma indústria de produção de Celulose na Babaera.
Havia igualmente uma fazenda de plantação de sisal, onde boa parte da sua produção era exportada e havia ainda indústrias de transformação de frutas, de cereais, milho, massambala e de carnes.
No domínio da pecuária existe no município uma tradição de criação de gado bovino, caprino, suíno e galináceos. No passado foi uma grande referência na região, em termos de produção animal.
Gastronomia do município da Ganda
Pirão de milho branco: o guarnição obrigatório de quase todas as refeições locais, feito a partir da farinha de milho fina cozida em água a ferver. Lossaca: Um refogado tradicional feito com as frutas de uma planta silvestre local, enriquecidas com óleo de palma ou amendoim, muito apreciado em toda a província de Benguela. Lombi de abóbora: um guisado feito com as folhas tenras da abóbora, cozidas e refogadas com tomate cherry e cebolas. Feijão de óleo de palma: feijão nacional cozido de forma lenta e temperado com o tradicional azeite de dendê. Carnes de criação local: sendo uma região rica em agropecuária, os acompanhamentos de carne de galinha local (galinha nua) ou guisados de cabrito, carne seca (bovina ou de caça) são altamente tradicionais.
Vale passear pelo centro, feiras locais e mercados pra ver artesanato, produtos agrícolas e interagir com a comunidade local.
O município do Cubal, localizado na província de Benguela, a 146 km da capital provincial, teve origem num povoado fundado no início do século XX.
O Cubal ascendeu à categoria de cidade a 23 de Janeiro de 1968. O seu nascimento está relacionado com os Caminhos-de-ferro de Benguela e com o nome de Joaquim Francisco Ferreira, mais conhecido por “Yiola-yiola” (alcunho popular), um comerciante de nacionalidade portuguesa que chegou às terras da Hanha em 1878. O Umbundu é a língua nacional, mais falada e utilizada no dia-a-dia pela população local.
Os primeiros povos que habitaram aquela região foram da tribo Muhanha, depois chegaram os Munanos provenientes do Planalto Central (Huambo) e os Ovambuelo da Região da Huíla. Distintos dedicados da pastorícia e agricultura, o Cubal cresceu e desenvolveu-se graças à aliança entre os Caminhos-de-ferro e a Industria sisaleira que tinha as Fazendas Alto-Cubal, Kiskerof, Elisa, Banja-banja e Rio Bom como os seus expoentes de produção.
Vida local e cultural do municipio do Cubal
A criação de animais por camponeses, os de pequeno porte como cabritos, porcos e galinhas são mais utilizados na alimentação e comércio.
O gado bovino é utilizado para a tracção animal (utilização da força de animais como bois, cavalos, mulas e búfalos para mover veículos, arar a terra ou tracionar implementos agrícolas) e também para o comércio, como testemunha e a grande praça de gado, a conhecida praça de carne, na sede municipal.
Quando chegou a independência, Benguela era já a principal produtora de sisal em toda Angola. A contribuir para os números gordos, estava o Cubal.
As plantações eram imensas e exportações saiam para todo o mundo.
A cultura do Cubal é fortemente Fixada na solidariedade comunitária, agricultura familiar e transmissão oral de saberes. Como um dos maiores produtores de carne da província, a sua culinária reflecte tanto a riqueza rural quanto os sabores típicos de Benguela.
Gastronomia do municipio da Cubal
O calulú de carne seca: ensopado tradicional feito com carne seca ou peixe seco (naquela região) acompanhado de vegetais como rama, quiabo, beringela e óleo de palma, sempre servido com o funge. A carne de caça assada e churrasco: dado o peso da pecuária local, pratos de carne fresca têm destaque especial na gastronomia do município. A muamba de galinha: que é um ensopado de galinha nua, feito com quiabo, beringela, óleo de palma, amendoim e vários temperos, é um dos pratos tradicionais angolanos que também compõem a mesa cubalense em datas festivas e celebrações familiares.
Quando se trata de bebidas, a Cubal é conhecida por seus sucos refrescantes e saborosos feitos com frutas frescas como maracujá, ananás, goiaba, sem esquecer a quissángua (que é basicamente uma bebida feita a base de milho amarelo pisado e a farinha proveniente do mesmo). Esses sucos costumam ser apreciados com as refeições ou como uma bebida refrescante em um dia quente.
Paisagem de Maciços Graníticos- a região é amplamente conhecida pelas suas formações rochosas imponentes que pontuam as planícipes e compõem a paisagem do planalto, margens do rio Cubal, afluente do Catumbela.
Entre paisagens naturais, património histórico, tradições culturais e uma forte ligação ao Caminho de Ferro de Benguela, os municípios do Cubal e da Ganda revelam-se destinos cheios de autenticidade no coração da província de Benguela. Das antigas estações ferroviárias aos rios, missões, jardins e espaços de convivência, cada local conta parte da história e da identidade destas terras do planalto angolano.
Visitar o Cubal e a Ganda é descobrir cenários tranquilos, comunidades acolhedoras e experiências marcadas pela simplicidade e riqueza cultural. Para quem procura conhecer um lado mais genuíno de Angola, longe dos circuitos mais movimentados, estes municípios oferecem motivos suficientes para uma viagem memorável, repleta de história, natureza e tradição.
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