Este povo, tem características muito particulares que me despertaram a curiosidade e levaram a pesquisar na net de forma a melhor poder conhecer e apreciar a sua beleza e cultura.
Na viagem ao Ruacaná tive a oportunidade de poder fotografar numa aldeia local, algumas mulheres Himbas que por ali circulavam à procura de turistas para poder receber algum dinheiro em troca de fotografias, daí este artigo se chamar Himbas – O lado turístico.
Esta é uma primeira abordagem fotográfica ao povo Himba e, por isso mesmo, ainda muito limitada.
Ficou combinado para mais tarde, ainda sem data marcada, um contacto com o administrador de uma das aldeias Himba próxima de Ruacaná, com o objectivo de realizar uma visita posterior à comunidade. A intenção será fotografar os Himbas no seu próprio meio e, sobretudo, conhecer melhor a sua forma de vida, os seus hábitos e a sua cultura.
Um povo entre Angola e a Namíbia
Para já, e de forma resumida, partilho, com a devida vénia, alguns excertos de textos que fui encontrando sobre este povo de características tão singulares.
Os Himbas são um grupo étnico de tradição pastoril que habita sobretudo o norte da Namíbia e áreas do sul de Angola, particularmente junto à região do rio Cunene. Falam Otjihimba, uma variante da língua Herero.
Há vários séculos que vivem e se deslocam nesta região, atravessando territórios que actualmente pertencem a Angola e à Namíbia. Para comunidades tradicionalmente seminómadas, as fronteiras administrativas modernas nem sempre correspondem aos seus territórios culturais e familiares.
A pastorícia ocupa um lugar central na sua vida. A procura de água e de pastagens para o gado pode obrigar algumas famílias a percorrer grandes distâncias, especialmente nas regiões mais áridas.
O ocre e a identidade Himba
As mulheres Himba são particularmente conhecidas pela utilização do otjize, uma mistura tradicional feita à base de ocre e gordura, aplicada sobre a pele e o cabelo.
A mistura confere à pele uma característica tonalidade avermelhada e está profundamente associada aos padrões de beleza e à identidade cultural Himba. Para além do seu significado estético e simbólico, ajuda também a proteger a pele das condições ambientais adversas, como o sol, o vento e a poeira.
Os penteados e a forma como o cabelo é trabalhado têm igualmente um importante significado cultural, podendo transmitir informações relacionadas com a idade e a posição de cada pessoa dentro da comunidade.
O papel das mulheres na comunidade
As mulheres Himba desempenham um papel fundamental na organização e na vida quotidiana das comunidades. São responsáveis por muitas das actividades domésticas, pela educação das crianças e por várias tarefas relacionadas com a manutenção da aldeia.
A ordenha das vacas é tradicionalmente uma das suas responsabilidades, assim como o transporte de água, a preparação dos alimentos e diversas tarefas de construção e manutenção das habitações.
São também hábeis artesãs. Colares, pulseiras, peças decorativas e outros objectos produzidos pelas comunidades podem constituir uma importante fonte complementar de rendimento. Em algumas regiões, sobretudo na Namíbia, é frequente a deslocação aos centros urbanos para comercializar estes produtos antes do regresso às aldeias.
Os cuidados pessoais fazem igualmente parte da rotina e das tradições, sendo a utilização do otjize uma das práticas mais conhecidas e visualmente características desta cultura.
O gado como riqueza e património
O gado bovino representa muito mais do que uma simples fonte de alimentação. É um elemento central da economia, da organização social e do património das famílias Himba.
O número de cabeças de gado está tradicionalmente associado à riqueza e ao estatuto da família, desempenhando também um papel importante em cerimónias e acontecimentos sociais.
A carne não faz necessariamente parte da alimentação quotidiana, podendo ser reservada para ocasiões especiais, cerimónias, casamentos ou funerais.
Também nos rituais funerários o gado pode assumir um forte significado simbólico, demonstrando a profunda ligação existente entre os animais, a família, os antepassados e a vida espiritual da comunidade.
Uma história ainda por continuar
Muitas outras curiosidades sobre este povo ficaram por contar.
Espero ainda ter oportunidade de visitar uma aldeia Himba e conhecer mais profundamente esta comunidade no seu próprio território. Será então possível trazer novas fotografias e mais informação sobre a sua religião, organização familiar, tradições, hábitos e cultura.
Esta primeira passagem por Ruacaná fica, assim, como uma introdução a uma realidade cultural fascinante do sul de Angola e da região transfronteiriça do Cunene.
O projeto do Mapa Turístico da Huíla foi apresentado no passado dia 15 de setembro, no Auditório do Governo Provincial da Huíla, numa sessão dedicada à partilha do trabalho desenvolvido e à recolha...
Hotéis suportam comissões sobre valores destinados ao Estado, enquanto turistas são obrigados a procurar numerário, enfrentando desconforto e possíveis riscos de segurança.
O turismo angolano encontra-se num momento decisivo. Nos últimos anos foram alcançados alguns progressos, mas continuam a existir desafios estruturais que condicionam a competitividade do sector e ...
A entrada em vigor da Contribuição Especial para o Turismo, correspondente a 5% sobre as estadias de turistas internacionais, continua a levantar inúmeras dúvidas entre hotéis, aparthotéis, pousada...