ALERTA AO SECTOR: Os entraves nos pagamentos e reembolsos estão a comprometer a confiança no Turismo em Angola
Promover Angola exige garantir que reservar, pagar e receber uma devolução sejam processos claros, previsíveis e compatíveis com as necessidades do mercado internacional.
Uma situação reportada ao
hoteisangola.com ilustra uma dificuldade que merece atenção urgente: uma agência de viagens italiana efectuou um pagamento para uma unidade hoteleira em Angola. Segundo o relato recebido, o valor demorou a ficar disponível na conta do hotel. Posteriormente, uma alteração do pacote turístico tornou necessária a devolução de parte do pagamento, dando origem a um novo processo bancário, também moroso e complexo.
Para a agência, a expectativa é simples: se houve uma alteração que dá lugar a um reembolso, o valor deve ser devolvido num prazo razoável. Porém, a unidade hoteleira pode estar disponível para cumprir essa obrigação e continuar dependente de procedimentos bancários que não controla.
É neste desencontro que um problema bancário passa a ser interpretado como falta de responsabilidade do hotel, e, por extensão, como falta de confiança no destino Angola.
No caso relatado, foi ainda referida a cobrança de 10% associada à devolução. A natureza, a base de cálculo e o fundamento desse encargo precisam de ser esclarecidos documentalmente. Para o parceiro internacional, é difícil compreender por que razão a devolução de um pagamento pode implicar uma redução desta dimensão, sobretudo quando esse custo não foi previamente explicado.
Não podemos esperar que uma agência estrangeira domine os procedimentos bancários, cambiais e fiscais angolanos para conseguir trabalhar com os nossos hotéis. Cabe-nos criar condições para que essa relação comercial funcione com transparência e previsibilidade.
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A confiança também depende da forma como o dinheiro circula
Angola tem potencial para oferecer experiências turísticas diversificadas. Mas a qualidade da oferta perde competitividade quando operações correntes; confirmar uma reserva, receber um pagamento, alterar uma estadia ou devolver um valor se transformam em processos demorados e difíceis de explicar.
O hotel fica exposto perante o cliente. A agência perde tempo a acompanhar o processo e a justificar atrasos. O turista fica inseguro. E uma oportunidade de negócio pode transformar-se numa razão para evitar novas reservas em Angola.
A aceitação efectiva de cartões internacionais, incluindo Visa, com soluções adequadas à hotelaria, deve fazer parte da resposta. Funcionalidades como a pré-autorização, a cobrança posterior e o reembolso pelo meio de pagamento original podem facilitar a gestão das reservas, quando disponíveis e devidamente contratadas. Os respectivos prazos e condições devem ser claros, sem promessas de devolução que os intervenientes não consigam garantir.
O que precisa de mudar
É necessária uma articulação prática entre bancos comerciais, autoridades competentes, AGT, entidades do turismo e representantes do sector para:
- Definir procedimentos claros para reembolsos internacionais, incluindo documentos necessários, responsáveis e prazos de resposta.
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Esclarecer antecipadamente todos os encargos, distinguindo comissões bancárias, custos cambiais e eventuais obrigações fiscais.
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Adequar o tratamento bancário e contabilístico às operações turísticas, reconhecendo que alterações, cancelamentos e devoluções fazem parte da actividade.
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Disponibilizar soluções de pagamento internacional adequadas à hotelaria, tanto nas reservas à distância como no pagamento presencial.
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Criar canais de acompanhamento e resolução, evitando que hotéis e agências permaneçam sem informação concreta sobre o estado das operações.
Não basta recomendar às unidades hoteleiras que expliquem os atrasos aos parceiros. É necessário resolver as causas desses atrasos e garantir que cada interveniente assume a sua responsabilidade.
Este é um alerta sobre a competitividade e a credibilidade do turismo angolano. Cada pagamento bloqueado, cada devolução sem prazo e cada encargo mal explicado desgastam relações comerciais que levaram tempo a construir.
Se queremos que as agências e os operadores internacionais vendam Angola com confiança, precisamos de lhes oferecer segurança em todo o processo: da primeira reserva à conclusão do serviço, incluindo quando é necessário devolver dinheiro.
Promover o destino é essencial. Garantir que o destino funciona é indispensável.
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