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O problema dos transportes aéreos em Angola

Artigo de: Jorge Nunes

Numa altura em que muito se fala da 2.ª Conferência Ministerial da ONU Turismo e da ICAO, um evento que traz, sim, algum protagonismo para Angola (a cidade de Luanda acolhe o evento), a realidade no terreno mostra que o transporte continua a ser um dos grandes entraves ao desenvolvimento do setor do turismo no país.


Se olharmos com atenção, o transporte mais usado por turistas para se deslocarem dentro de Angola é, inevitavelmente, o avião.


O que temos?

Angola tem, praticamente só uma companhia a operar ligações entre as províncias, e todas as ligações passam obrigatoriamente por Luanda. Não existem ligações diretas entre várias capitais provinciais. Quem quiser voar de Benguela para Moçâmedes, tem de passar por Luanda. Isto não faz qualquer sentido. É um modelo ineficaz e que alem de encarecer a viagem, aumenta o tempo necessario, tornando-se, na prática, inviável para o turismo e a mobilidade geral.
Ontem, mais uma vez, a companhia aérea nacional, TAAG, cancelou à última da hora o voo para Moçâmedes. Sem aviso prévio, sem justificação. Turistas, empresários, funcionários públicos e cidadãos com compromissos pessoais ou profissionais viram-se forçados a cancelar reuniões, eventos e obrigações previamente agendadas. Isto afeta não só os passageiros, mas toda a cadeia do sector do turismo:
alojamentos cancelados, roteiros anulados, viaturas por alugar e serviços pagos que ficam sem utilização.


Tudo sem qualquer compensação.


A companhia continua a agir com total impunidade, abusando do monopólio que detém, sem prestar contas, sem assumir responsabilidades, sem apresentar alternativas.
Estas situações não são pontuais e já se tornaram normais. A instabilidade nos voos interprovinciais, os atrasos frequentes e a total imprevisibilidade da operação aérea interna colocam em risco qualquer tentativa de desenvolver o turismo nacional de forma consistente. Os destinos turísticos ficam reféns de uma companhia que, ao que parece, não tem vontade nem capacidade de acompanhar a dinâmica do setor.
É por isso que, com urgência, tem de existir uma liberalização real do mercado aéreo interno, pois, não se pode continuar a falar de crescimento do turismo em Angola sem garantir mobilidade entre províncias.


Sem voos fiáveis, sem concorrência, sem alternativas, não há turismo que resista.

A Conferência Ministerial que se aproxima não pode ser apenas uma vitrina de discursos. Precisa gerar compromissos internacionais e especialmente locais de forma concreta.
É hora do Ministério do Turismo e o Ministério dos Transportes trabalharem juntos, com objectividade, para mostrarem que há uma preocupação séria em resolver esta questão estrutural.


A solução passa por abrir o mercado e terminar com o monopólio da TAAG.
A TAAG não pode continuar a operar com esta postura de ausência de responsabilidade e falta de compromisso com o próprio desenvolvimento turístico do país.
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