A região é um curso navegável de cerca 258 quilómetros, desde a foz, na Barra do Kwanza, na província de Luanda, até ao Dondo (Cambambe), na província do Cuanza Norte, passando por Bom Jesus, Cabala, Muxima e Massangano.
Ostenta belas paisagens e marcos históricos, criados por altura da penetração dos portugueses no reino do Ndongo (Séc.XVI), que deveriam ser revisitados, através do turismo cultural.
Do ponto de vista natural, o corredor inclui uma vasta vegetação ao longo do Rio Kwanza, bem como uma rica biodiversidade.
Já na vertente cultural, abarca um conjunto de bens como fortalezas e igrejas seculares, entre outras infra-estruturas, incluindo a própria cidade histórica do Dondo.
Estas particularidades tornam o Corredor do Kwanza num bem a ser preservado, valorizado e desfrutado, não só pela sociedade angolana, mas também pelos visitantes atraídos de outras partes do planeta, gerando recursos para o desenvolvimento sócio-económico e cultural do país.
No passado foi considerado uma zona de activo comércio, praticado no princípio pelos Mbumbos (batedores ou vendedores) do Reino do Ndongo, e que possuía níveis satisfatórios de recursos, entre fontes de minerais como o ferro e o sal, a agricultura, a pastorícia e uma pequena indústria que movimentava homens e mercadoria, e que fomentaram uma complexa rede de comércio.
Hoje, curiosamente, o peso desta dimensão económica ainda é notório na prática da actividade piscatória e noutras de carácter agro-pecuário.
O rio Kwanza dispõe de várias características naturais que facilitam a fixação nas suas margens de aglomerados populacionais.
O espaço, que se enquadra nos limites geográficos do Reino do Ndongo, cuja capital é Kabasa e o seu soberano Ngola Kiluanji, tinha excelentes pontos de vigilância e era naturalmente defendido por um conjunto de morros.
Consta ainda que desse quadro natural de protecção, já nos séculos XVI e XVII, os portugueses desenvolveram um sistema militar de defesa, tornando o Rio Kwanza no principal eixo de penetração ao interior de Angola, ávidos por alcançar as feiras e as lendárias minas de prata que supostamente existiriam na região, sobretudo em Kambambe.
O potencial defensivo do Corredor do Kwanza, correspondente ao período da ocupação, foi fixado em Massangano, em 1583, no ponto estratégico da confluência dos rios Kwanza e Kukala, na Muxima, em 1599/1606, e em Kambambe, em 1604, no limite navegável do Kwanza.
A fixação nestes pontos estratégicos deu um impulso considerável à fixação da população colonial no interior e consistiram pontos de escala obrigatória para as embarcações que demandavam a captura de escravos.
Considera as vilas históricas da Muxima, Massangano, Dondo e Cambambe, assim como a ilha do Gundo, as maiores referências do percurso e pontos de atracção aos visitantes, que, se bem explorados, podem servir de fontes de arrecadação de receitas para o Estado.
Massangano, o expoente máximoApesar da sua vasta zona de preciosidades, é em Massangano que o Corredor do Kwanza conserva um enorme valor histórico, cultural e turístico que o Kwanza abraça no seu leito em direcção ao Atlântico.
A vila de Massangano já foi a capital provisória de Angola durante a ocupação de Luanda pelos Holandeses, no reinado do capitão português Paulo Dias de Novais, falecido e sepultado na mesma localidade.