Localiza-se no município de Maquela do Zombo, na província do Uíge, próximo da fronteira de Angola com a actual República Democrática do Congo.
A fortificação constitui um testemunho da expansão administrativa e militar portuguesa para o extremo norte do território angolano, numa região historicamente ligada aos povos Zombo ou Bambata e ao antigo Reino do Kongo.
A instalação do posto militar fortificado ocorreu em Janeiro de 1896, num período marcado pela necessidade de Portugal demonstrar a ocupação efectiva dos territórios que reclamava depois da Conferência de Berlim. A indefinição das fronteiras e as incursões provenientes do então Estado Independente do Congo contribuíram para que Maquela do Zombo adquirisse especial importância militar e geopolítica.
A escolha do local esteve igualmente relacionada com a importância económica da região. Os comerciantes Bazombo dominavam importantes circuitos de longa distância, ligando o interior ao litoral norte de Angola e à região do rio Zaire. O posto português permitia acompanhar os movimentos fronteiriços, afirmar a autoridade colonial e controlar parte do comércio regional, especialmente o comércio da borracha.
Maquela do Zombo ganhou progressivamente relevância administrativa. Em 1911, o Zombo passou a circunscrição civil e recebeu serviços públicos, como a Delegação da Fazenda e a Estação Postal. Em 1917, a sede do Distrito do Congo foi transferida de Cabinda para Maquela do Zombo, que permaneceu como capital económica e administrativa do Congo Português até 1946.
Durante a luta de libertação nacional, a posição fronteiriça de Maquela do Zombo voltou a conferir-lhe grande importância militar. A localidade recebeu instalações e unidades das forças portuguesas destinadas a controlar a fronteira e a combater a entrada de guerrilheiros provenientes do território congolês. Essas instalações militares mais recentes, incluindo o conhecido Quartel 1969, não devem, contudo, ser confundidas com o antigo fortim.
Actualmente, o Fortim de Maquela do Zombo é geralmente identificado como estando em ruínas. Apesar da degradação, conserva relevante valor histórico e patrimonial, enquanto testemunho da ocupação militar portuguesa, das antigas redes comerciais dos Bazombo, das relações fronteiriças e das transformações políticas que marcaram o norte de Angola. A sua valorização turística deve ser acompanhada por investigação histórica, levantamento arquitectónico e verificação presencial do seu estado de conservação.