Monumento a Silva Porto

Monumento a Silva Porto

António Francisco Ferreira da Silva Porto – foi um comerciante e explorador português que se notabilizou no interior de África. Nasceu numa família pobre do Porto, em Portugal. O seu pai distinguira-se nas batalhas contra as invasões francesas em 1810, contudo Silva Porto procurou oportunidades mais longe. O Brasil era um destino óbvio, onde muitos emigrantes então obtinham sucesso. Aos doze anos partiu com autorização do seu pai para o Rio de Janeiro a bordo do brigue Rio Ave.

Após trabalhar algum tempo para um comerciante, indignado com a remuneração, dedicou-se a trabalhos itinerantes e aos 18 anos, em terras da Bahia, fez questão de anunciar no jornal Correio Mercantil o seu novo nome, a fim de distinguir-se de outro António Ferreira da Silva, acrescentando "Porto" em homenagem à sua cidade natal. Na Bahia continuou a trabalhar como balconista de um comerciante de cafés, mas
descontente com as condições.

Durante décadas foi o único europeu que as populações do planalto do Bié conheciam, porque muito antes dos exploradores europeus atravessarem a África já este africanista se tinha estabelecido como comerciante em pleno sertão angolano.

A sua experiência foi preciosa para os comerciantes e aventureiros que depois demandaram o interior de Angola.
 
Um dia, no porto da Bahia, embarcou num navio para Luanda "sem sequer saber onde Angola ficava", como diria mais tarde. Contudo, depois de um curto período, regressou.
Durante a "Sabinada", uma revolta autonomista ocorrida entre 1837 e 1838, Silva Porto decidiu voltar para Angola, onde se empregou numa taberna.
Progressivamente fascinado com o interior do continente, e com seu primeiro salário, comprou artigos e roupas. Uma vez confiante da quantidade de mercadorias, largou o emprego para começar a sua carreira de 50 anos como comerciante no interior. Tinha 22 anos. Foi uma aventura difícil: muitas das caravanas que deixavam a costa de Benguela para o Lui, Luanda e Katanga arriscavam roubos, pilhagens e o risco de verem-se envolvidas em conflitos tribais. Silva Porto travou muitas amizades com tribos no interior e rapidamente se adaptou às condições de África, onde casou com uma mulher destacada do povo Ovimbundu do Bié com quem teve vários filhos.
Em 1848 Silva Porto foi nomeado capitão donatário interino do Bié.
Estabelecendo relações pacíficas entre os locais e os europeus, reunia-se com os europeus coloniais para uni-los e convencer o chefe local, Lhiumbulla, para impedir a detenção de colonos. No entanto, as suas tentativas foram impossibilitadas quando o chefe morreu, levando Silva Porto a pedir à administração colonial uma força militar para proteger os interesses portugueses.

Depois de 1854 a sua actividade foi incessante. Em 1869 havia feito seis viagens para Lui e três de Benguela, onde comprou a loja local de Bemposta e permaneceu até 1879, quando retornou para Kuito. Aos 62 anos de idade, mais uma vez cruzou a África Ocidental: viajou para Moio (Cuba) em 1880 e 1882, Lui (Barotseland) em 1883, e depois para Benguela em 1882 e 1884. Em Belmonte ajudou a missão local, disponibilizando do seu dinheiro para material escolar, alimentos e roupas para as crianças e remuneração para o professor.
Em 5 de Março de 1889 foi substituído por Justino Teixeira da Silva como capitão-donatário do Bié, mas continuou a receber 100$000 réis por mês e manteve as honras associadas.
Por volta de 1850 a exploração portuguesa em África expandira-se, mas o pedido de Silva Porto para um destacamento militar nunca foi atendido: Portugal estava apenas interessado na costa. A partir de Kuito, o limite leste Português, Silva Porto experimentou a explorar o interior. Além
de mercador e explorador, tornara-se um diplomata entre os colonos portugueses e as tribos Ovimbundu.
Frequentemente atravessou o interior em caravanas vendendo mercadorias e participando em projectos para documentar a etnografia e a geografia do interior. Por muitos anos, Silva Porto foi o único homem branco que os locais viram, estabelecendo no Bié um negócio local para servir os moradores, colonos e apoiar as forças portuguesas.
 
Em 1889, após uma visita a outra aldeia, Silva Porto voltou ao Kuito onde encontrou a sua casa incendiada. Escreveu a seu amigo Luciano Cordeiro "Sou um inválido e pobre. Não tenho pão e olho para o consolo supremo ... morrer na pátria". Em 1877, a Sociedade de Geografia de Lisboa tinha feito um apelo especificamente para uma pensão, a fim de apoiar seu desejo de voltar a Portugal, onde poderia "morrer na pátria que teve honra e dedicadamente serviu ".
 
O ultimato britânico de 1890 e a perda de confiança do chefe Dunduna levá-lo-iam ao desespero. Em Janeiro de 1890 Paiva Couceiro chegou à área de Teixeira da Silva (Bailundo) com um contingente de 40 soldados moçambicanos armados, o que preocupou o chefe do Bié. Temendo que os portugueses estivessem ali para construir um forte e ocupar as suas terras, o chefe foi convencido por Silva Porto de que estavam apenas de passagem, a caminho de Barotseland. Contudo Paiva Couceiro permaneceu na área até Abril, altura em que o chefe (incentivado pelas ameaças inglesas aos portugueses) decidiu enviar um ultimato: Couceiro e as suas tropas deviam sair do Bié na manhã seguinte. Indignado com estas exigências, Couceiro enviou Silva Porto à aldeia para negociar um entendimento. Acreditando que tinha alguma influência sobre o chefe, Silva Porto tentou resolver as tensões, mas ficou desapontado ao perceber que pouco podia: voltou desanimado, provavelmente acreditando que o Ultimato britânico tinha reduzido a influência portuguesa. Durante o confronto com Dunduna, o chefe chegou a puxar a sua barba branca; Dunduna estava indignado por não ser informado das intenções de Paiva Couceiro e insultou Silva Porto, ao dizer que não teria caráter para usar barba, símbolo de respeito.
Voltando a Bailundo, perguntou sobre a certeza do Ultimato, o que irritou Paiva Couceiro. Mas depois, no Kuito, Silva Porto surgiu de bom humor. Paiva Couceiro reparou que o seu complexo tinha barris de pólvora (o que Silva Porto, rindo, declarou ser apenas areia). Em 1 de Abril de 1890, o velho explorador envolveu-se numa bandeira Portuguesa, e deitando-se sobre os barris de pólvora acendeu o pavio. Morreria no dia seguinte, dos ferimentos. Tinha setenta e dois anos. Ele era um autor muito famoso porsuas grandes obras se dedicava muito a elas assim tendo oportunidade de ingressar nas grandes academia da arte ganhando muitos premios por sua inteligencia como pintor.

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