É uma das mais antigas e importantes missões católicas do interior de Angola, localizada no município da Ganda, cerca de 18 km da sede municipal.
A missão teve um papel determinante na evangelização, educação e assistência social da região sul de Benguela.
História da construção
A missão foi fundada oficialmente em 26 de Julho de 1927, numa área de aproximadamente 500 hectares, após autorização do governo colonial português aos Missionários Espiritanos (Congregação do Espírito Santo).
O primeiro missionário destacado para o local foi o Padre Figueiredo.
Antes da chegada dos missionários, a região era conhecida como Sessembo, habitada por comunidades umbundu ligadas aos grupos Vanganda e Vahanha. Muitos dos primeiros habitantes fixaram-se precisamente na área que mais tarde se transformaria na Missão do Ndunde.
Nos primeiros anos, a missão cresceu rapidamente: em 1932 já existiam cerca de 4 mil baptizados, e foi criado um seminário missionário;
O local tornou-se centro de formação de catequistas e evangelistas para outras regiões de Angola.
Em 1946, a missão passou para a administração dos Missionários de Nossa Senhora de La Salette (Saletinos), missionários suíços que marcaram profundamente a identidade espiritual e educacional do Ndunde.
A igreja do Ndunde é frequentemente referida como a primeira igreja dedicada a Nossa Senhora de Fátima na África Austral. A devoção mariana tornou-se um dos pilares espirituais da missão desde o período colonial.
Ao longo da sua história, a missão tornou-se um importante centro de evangelização; formação catequética; ensino religioso; alfabetização; assistência médica; formação profissional.
A missão também teve forte influência cultural e linguística. A sua tipografia imprimiu alguns dos primeiros livros em língua umbundu da região.
Durante a guerra civil angolana, a missão sofreu abandono, ataques e destruições, tendo sido abandonada em 1980, reocupada em 1992, e voltou a ser evacuada em 2000 após ataques e raptos de missionários, reaberta oficialmente em 2003.
Estrutura arquitectónica
A arquitectura da Missão do Ndunde segue o modelo típico das grandes missões católicas rurais do período colonial missionário, combinando influência europeia e adaptação ao clima local.
Principais características arquitectónicas:
Igreja principal de grande dimensão;
Fachada simples e monumental;
Torre sineira;
Cobertura inclinada;
Paredes espessas em alvenaria;
Amplas varandas e corredores laterais;
Janelas altas para ventilação natural;
Pátio missionário central.
Mesmo após décadas de guerra e degradação, a missão continua a ser um dos mais importantes símbolos religiosos e históricos da região da Ganda.