Numa altura em que em Angola se multiplicam as homenagens, é justo em nossa opinião que também o setor do turismo dirija uma palavra de reconhecimento a uma mulher que marcou, de forma silenciosa, mas firme, uma etapa importante da história recente do nosso turismo.
Num tempo em que o orçamento do Ministério era reduzido e as condições de trabalho eram extremamente limitadas, a então Ministra não se escondeu atrás das dificuldades: abriu as portas do seu gabinete, dialogou com os operadores, valorizou o conhecimento local e fez do Ministério um espaço de escuta e partilha.
Foi sob a sua liderança que muitos profissionais e empresários sentiram, talvez pela primeira vez, que o Ministério do Turismo lhes pertencia também e que havia espaço para trocar ideias, propor soluções e, acima de tudo, sentir-se parte de um projeto comum. Exemplo disso salienta-se o formato de dialogo aberto do Conselho Consultivo do sector realizado na cidade do Sumbe.
Ainda hoje recordamos a sua visita oficial à província de Benguela, um momento que ficou gravado na memória dos operadores locais. Depois de ouvir atentamente as preocupações e sugestões dos empresários, a Senhora Ministra abriu um caderno de anotações, cheio de folhas escritas à mão, com possíveis questões e ideias sobre o setor. O mais notável era o facto de aquelas notas terem sido escritas pela própria ministra, num gesto raro de dedicação e envolvimento pessoal.
Nesse mesmo encontro, com a humildade que sempre a caracterizou, a Ministra Ângela Bragança reconheceu que não vinha da área da hotelaria, mas da diplomacia. E, por isso, pediu aos operadores que lhe fizessem chegar todas as dificuldades, desafios e preocupações do setor, para que, com base nessas informações, pudesse compreender melhor a realidade e ajudar a encontrar soluções. Foi um momento de sinceridade e respeito que marcou todos os presentes, porque mostrou uma líder que sabia ouvir antes de agir.
A postura da Ministra Ângela Bragança foi, e continua a ser, um exemplo de liderança participativa e agregadora.
Foi alguém que, mesmo com poucos meios, valorizou o mais importante: as pessoas. Os operadores, os técnicos, os guias, os empreendedores, todos tiveram, durante o seu mandato, um espaço de voz e respeito.
Por isso, hoje, deixamos um agradecimento público à Senhora Ministra Ângela Bragança, pela forma serena, humilde e determinada com que conduziu a pasta do Turismo, deixando um legado de proximidade e união que continua a inspirar muitos de nós.
O turismo angolano precisa de mais líderes assim: que ouçam, que valorizem e que construam com quem está no terreno.
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