Escalar a Serra da Leba: uma nova forma de descobrir Angola
Uma experiência radical com a equipa da Cuyuyu, entre adrenalina, segurança e a imponência natural da Huíla
Destaques da experiência
Atividade realizada na Serra da Leba, a partir do Lubango.
Experiência acompanhada pela equipa da Cuyuyu.
Via de escalada 5A, considerada de nível inicial.
Equipamento completo, briefing técnico e acompanhamento permanente.
Uma forma diferente de viver a natureza e o turismo de aventura em Angola.
A aventura começou ainda cedo, no Pululukwa.
Depois de uma caminhada pelos passadiços do resort, rodeados pela água, pela vegetação e pelo som constante da natureza, acabámos por combinar algo diferente para esse mesmo dia: testar uma das experiências radicais da equipa da Cuyuyu.
O encontro ficou marcado para as oito da manhã, no Lubango, de onde partimos em direção ao miradouro da Serra da Leba. O objetivo era simples: viver na primeira pessoa um dos roteiros de escalada promovidos pela equipa.
Para nós, era algo completamente novo. Nunca tínhamos tido qualquer experiência de escalada em Angola e isso trazia naturalmente alguma ansiedade e curiosidade.
A chegada ao miradouro trouxe imediatamente aquela sensação de imponência que a Serra da Leba consegue transmitir. Depois de um pequeno briefing, iniciámos uma caminhada de cerca de dez minutos até ao ponto de escalada, identificado como 5A, considerado um dos níveis iniciais dentro das normas internacionais.
O início da experiência
Foi aí que começou verdadeiramente a experiência.
Colocar os sapatos especiais de escalada, apertar cada encaixe do arnês, perceber a função de cada nó, ouvir atentamente as explicações da equipa sobre os sistemas de segurança... tudo isso faz-nos entrar lentamente num novo mundo.
Enquanto nos equipávamos, a equipa da Cuyuyu explicava cada detalhe com enorme calma e profissionalismo. Cada mosquetão, cada corda, cada nó tinha uma função específica. Até a pequena bolsa com o pó branco, o magnésio, acabou por ganhar um significado diferente quando percebemos que aquele simples pó ajudaria a manter os dedos secos e garantir melhor aderência à rocha.
Existe quase uma sensação cinematográfica naquele momento.
Como se estivéssemos a preparar-nos para uma verdadeira aventura.
Quando a subida começa, tudo muda
E depois começa a subida.
Curiosamente, quando olhamos para a montanha cá de baixo, criamos automaticamente um mapa mental do percurso. Pensamos que já conseguimos perceber por onde subir, onde apoiar os pés, onde agarrar as mãos.
Mas quando começamos realmente a escalar... tudo muda.
O mapa mental desaparece quase instantaneamente.
Cada metro conquistado obriga-nos a parar, olhar novamente à nossa volta e reconstruir mentalmente o caminho. É quase como um jogo de xadrez vertical, onde precisamos perceber cuidadosamente qual será a próxima "casa", o próximo apoio, o próximo movimento que nos permitirá continuar a subir.
A escalada deixa então de ser apenas física.
Passa a ser estratégica.
Segurança, confiança e profissionalismo
A equipa da Cuyuyu mostrou desde o primeiro instante um enorme profissionalismo. Enquanto preparavam os equipamentos, verificavam os sistemas de segurança e explicavam cada detalhe do percurso, transmitiam-nos também algo fundamental: confiança.
E foi exatamente essa confiança que tornou toda a experiência especial.
A escalada acontece numa parede natural onde existe uma linha principal de progressão para o participante e um percurso paralelo utilizado pelo guia, que acompanha constantemente cada movimento, orientando a subida e ajudando na segurança e posicionamento.
Convidámos ainda duas pessoas que estavam connosco para partilharem esta experiência. O resultado acabou por superar completamente as expectativas.
Sentimo-nos seguros do início ao fim.
Foi desafiante.
Foi intenso.
E, acima de tudo, foi incrível.
O desafio da montanha
Do nosso grupo, um dos participantes, com excelente preparação física, conseguiu atingir o topo da escalada.
No meu caso, consegui ultrapassar mais de metade do percurso e, sinceramente, para uma primeira experiência, já foi uma enorme vitória.
A determinada altura, a subida estava a correr bastante bem e decidi tentar seguir mais pela direita, acreditando que talvez encontrasse uma passagem mais fácil.
Mas foi precisamente aí que percebi a complexidade da escalada.
Quando cheguei àquele ponto, já não conseguia regressar facilmente atrás. Faltavam apoios seguros para reposicionar os pés, os braços começavam a perder força e o corpo deixava de responder da forma como imaginamos cá em baixo.
Fiquei literalmente bloqueado na parede.
Ainda parei alguns momentos para descansar, respirar e tentar encontrar uma nova combinação de movimentos que me permitisse continuar, mas nem sempre a montanha aceita os caminhos que imaginamos.
E talvez seja exatamente isso que torna tudo tão fascinante.
Ficou o bichinho
Mesmo sem chegar ao topo, a sensação foi incrível.
A verdade é que ficou o bichinho.
Mesmo reconhecendo que a minha preparação física não é a melhor, ficou aquela vontade de voltar, terminar esta via 5A e depois avançar para desafios maiores.
Porque existe qualquer coisa de especial em enfrentar a montanha, sentir o corpo a trabalhar, olhar para a paisagem da Serra da Leba de outra perspetiva e perceber que Angola também pode proporcionar experiências radicais com qualidade, segurança e equipas extremamente profissionais.
E talvez seja exatamente isso que torna esta experiência tão marcante: não é apenas uma escalada.
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Aventura-te a conhecer o municipio da Humpata localizado a Sul da província, limitado a Norte pelo município do Lubango, a Este pelo município da Chibia.