Querem gerir hotéis, mas começam por servir à mesa e limpar quartos

Querem gerir hotéis, mas começam por servir à mesa e limpar quartos

Ninguém que saia da Les Roches e da Glion poderá chegar a director de hotel de luxo sem ter executado todas as tarefas que vão da base ao topo. “Para se saber mandar tem de se saber fazer” é a base da filosofia suíça de ensino. Por isso, não é de estranhar que directores de grandes cadeias hoteleiras, bancos e marcas de luxo saibam fazer uma cama de forma profissional – e este é só um exemplo entre tantos outros.

Les Roches sempre foi sinónimo de qualidade e prestígio no mundo da Hotelaria Internacional e é considerada uma das melhores do mundo, juntamente com a Glion, agora do mesmo Grupo Sommet Education. Hoje, as escolas Les Roches Global Hospitality Education e Glion Institute of Higher Education têm campus em Montreaux e Bluche nos Alpes suíços, Marbella, Londres e Xangai. Recentemente e seguindo nova tendência, têm dois projectos Les Roches na Tailândia. E a novidade é a aquisição da Art Culinary, em Paris, propriedade do chef Alan Ducasse

“SAVOIR FAIRE” SUÍÇO

As escolas nasceram na Suíça há mais de 60 anos. O desenvolvimento da indústria no Sul da Europa, a abertura de hotéis e resorts em Espanha e a importância do mercado de luxo na Costa del Sol faz surgir o Campus de Marbella. «Tratou-se da primeira escola suíça com este efeito disruptivo, a oferecer a mobilidade dos alunos por dois destinos premium», explica Pedro Martins, Educational counselor da Les Roches e Glion em Portugal, os primórdios da internacionalização da gigante suíça de Hotelaria e Turismo de Luxo.

Pedro Martins vivia em Marbella, quando foi convidado para desenvolver as estratégias de Marketing e Recrutamento da Les Roches Marbella, já lá vão 18 anos. O primeiro Campus do modelo suíço a operar numa envolvência diferente do da casa-mãe é criado nos anos 90 e começa a despertar interesse no núcleo estudantil internacional, por oferecer um campus num destino turístico. Seguiu-se o boom da indústria na China e foi criado o Campus de Xangai. E Pedro Martins viu ampliadas as funções ibéricas para a criação de um programa global que se traduzia na experiência de fazer o curso de Hospitality Management, passando por todos os Campus, oferecendo aos alunos uma oportunidade de ter o melhor ensino da área em três países e dois estágios de seis meses em outros dois.

A Glion seguiu a mesma estratégia, com um campus na capital financeira e de decisão das grandes companhias, Londres. «Este era o spot perfeito para iniciar uma carreira», conta.

Quando ingressa existiam cerca de 70 nacionalidades, mas com um número reduzido de alunos portugueses (dois). «Hoje, temos nas escolas mais de 100 alunos portugueses a cada ano. E mais de 100 nacionalidades», detalha. Desde que assumiu funções tem vindo a notar o crescente interesse de alunos portugueses, nas licenciaturas, pós-graduações e masters. «A cada ano, destacam-se pela sua educação, formação e capacidade de integração em ambientes multiculturais. Este ano, como no anterior, dois foram distinguidos com a menção de honra Eta Sigma Delta», acrescenta.

Em conjunto, Glion e Les Roches têm cerca de 5 mil alunos. Mais de metade na Suíça, o berço da formação hoteleira de luxo, onde um semestre custa à volta de 35 mil euros. Uma licenciatura tem sete semestres, dos quais cinco são académicos. Isto significa que uma licenciatura pode custar 160 mil euros. Em Marbella, é menos: entre 21 mil e 22 mil por semestre, o que perfaz uns 120 mil euros. «São escolas de excelência, que oferecem um produto de luxo. O package inclui propinas, alojamento, alimentação nos restaurantes dos Campus, uniformes, material didático, Ipad com os livros digitalizados, ginásio, viagens de estudo, gestão dos estágios e acompanhamento da carreira do aluno», salienta.

MINDSET INTERNACIONAL

O processo, que é utilizado na formação, é uma verdadeira transformação. «O ensino na área da Hospitalidade implica compromisso, paixão, aprendizagem dos standards de excelência, identificação das necessidades, excelência na prestação de serviços, resolução de conflitos, trabalho de equipa, espírito de liderança e capacidade de abraçar projectos internacionais», diz, reforçando que os alunos saem para o mercado de trabalho com as ferramentas necessárias.

Por isso não causa espanto o facto de cada vez mais as multinacionais de Hotelaria, Turismo e de outros sectores verem, nestes alunos, o perfil para liderar o crescimento das suas empresas ou desenvolverem negócios. Estas escolas são conhecidas por prepararem os alunos para posições de topo.

«Todos os semestres temos mais de 60 grupos de Hotéis e empresas do sector do luxo a fazerem recrutamento directo, inicialmente para estágios e mais tarde para ofertas de trabalho e saídas profissionais em posições intermédias e de direcção. Em média, os alunos recebem três a quatro propostas antes de terminarem a sua formação», salienta. «Em Portugal, temos muitos alunos que são os directores dos hotéis mais importantes do País, também há consultores ou presidentes de cadeias hoteleiras», põe-nos a par. Para fomentar o multiculturalismo, o recrutamento, dos alunos e corpo docente, é feito a nível internacional. «Temos staff e faculty portugueses, com representação em quase todos os Campus, como Mariana Palmeiro, que é especialista em spas e bem-estar e lidera o programa Wellness
to Business Executive no Glion». Outro dos pontos fortes destes centros é o net- working, implementado com empresas de Hotelaria e do Luxo a nível mundial.

INDÚSTRIA DO LUXO

A Hotelaria de Luxo em Portugal está em desenvolvimento e o resultado vê-se em projectos como resorts no Algarve, Comporta, Alto Alentejo, Porto ou Douro Vinhateiro. Algumas previsões chegam a indicar 80 novas unidades hoteleiras nos próximos dois anos em Portugal.

«Temos visto o crescimento dos potenciais candidatos que nos procuram, que têm necessidades de aprendizagem e adaptação às novas exigências do mercado. Muitos são já cargos directivos e outros donos de novos negócios, mas com lacunas nas áreas de Gestão, Marketing, Revenue e Recursos Humanos.» De resto, é o próprio que aponta: «precisamos de mais e melhor formação, preparar bem a base da pirâmide, ajustar e preparar os profissionais da Hotelaria para as necessidades e tendências do mercado.» Por isso, só no ano passado foi feito um grande investimento no Campus da Glion, este ano estão a ser feitas melhorias na Les Roches Marbella e está a ser pensada o total redesign da Les Roches Suíça.

Marcas como Four Seasons, Ritz Carlton, Mandarin Oriental, Shangri-la, Hilton Starwood, Louis Vuitton, Cartier, Bulgari, Bloomberg, JP Morgan vêm todos os anos recrutar alunos. Por isso, não se cansa de repetir: “Les Roches is not a School, it’s a Way of Life”, o que faz delas verdadeiras aprendizagens de vida. Onde o espírito de equipa é fortemente incutido: «Todos os alunos têm de ter sentido de team work.»


Fonte: Executive Digest


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