Angola dobra aposta no Cuito Cuanavale

Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

A elevação do Memorial do Cuito Cuanavale a Património Mundial da Humanidade é das prioridades do Ministério da Cultura, que está a trabalhar na fundamentação do dossier deste marco da resistência e bravura dos combatentes angolanos, informou, segunda-feira, em Paris, França, a titular da pasta, Maria da Piedade de Jesus.

A ministra, que participa, desde segunda-feira, até sábado, na 40ª conferência geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), disse que, após o término de todo o processo de fundamentação, o dossier vai ser remetido à candidatura a Património da Humanidade.

A candidatura do Cuito Cuanavale, adiantou, conta com o apoio dos países da África Austral, pelo impacto que teve na abolição do apartheid na África do Sul e a Independência Nacional da Namíbia.Um exemploDurante a estada em Paris, a ministra teve um encontro com o director-geral adjunto da Unesco, Firmin Edouard Makoto, no qual fez um balanço dos resultados da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e o alinhamento de acções para a segunda edição do projecto.

“É uma das prioridades do sector. Os especialistas estão a trabalhar para a recolha de mais dados a serem incluídos no processo”, disse.Para Firmin Edouard Makoto, é preciso trabalhar o mais cedo possível nesta segunda edição, de forma a fazer melhor do que na anterior, por isso garantiu a disponibilidade de a Unesco apoiar projectos angolanos, técnica e financeiramente.

O encontro serviu, ainda, para ambos avaliarem o grau de realização da bienal e os resultados obtidos, bem como as oportunidades geradas com a realização do projecto. No final, os dois deixaram claro que a primeira edição permitiu atingir-se os objectivos iniciais, devido às plataformas criadas, para promover a diversidade cultural e a unidade africana.

Para a ministra e o director-geral adjunto da Unesco, a Bienal da Paz foi oportuna para estabelecer a credibilidade em África, no campo da prevenção da violência e de conflitos, assim como do intercâmbio cultural entre os povos.Firmin Edouard Makoto elogiou o posicionamento de Angola, como país líder na cultura de paz, a nível do continente e por ter incentivado a partilha de experiências e boas práticas, encorajando, igualmente, o surgimento de novos projectos.

Apesar de a Bienal da Cultura de Paz ser parte dos objectivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas e das aspirações da Agenda 2063 da União Africana e do projecto silêncio às armas até 2020, Maria da Piedade de Jesus disse que há aspectos a serem melhorados na segunda edição.

A bienal, reforçou, é parte da estratégia operacional da Unesco para África, criada para fornecer respostas a alguns problemas que afectam as economias e a sociedade africana.

A primeira edição da Bienal, realizada de 18 a 22 de Setembro, em Luanda, teve como principais atracções os fóruns de ideias das mulheres, dos jovens e parceiros. Outro ponto alto foi o Festival de Culturas.

A conferênciaAngola participa, de 18 a 23 deste mês, na 40ª conferência geral da Unesco, com uma delegação chefiada pela ministra Maria da Piedade de Jesus, na qual constam, entre outras individualidades, o director nacional dos Museus, Ziva Domingos, e a coordenadora da bienal, Alexandra Aparício.

A conferência é realizada com o intuito de discutir o lugar central da cultura nas políticas públicas em todo o mundo e o impacto desta no desenvolvimento sustentável.

Mais de 140 ministros e altos representantes participam na actividade.HistorialA Batalha de Cuito Cuanavale foi o ponto de viragem decisivo numa guerra que se arrastava há longos anos, durante a qual o Estado angolano sofreu pressões e ameaças de grandes potências e uma agressão directa de forças militares estrangeiras.

A batalha aconteceu em 23 de Março de 1988, altura em que as ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), em parceira com efectivos militares de Cuba, impuseram-se ao Exército do antigo regime do apartheid sul-africano, que invadiu Angola a partir desta região sudeste do país.

O Memorial do Cuito Cuanavale tem a forma de uma pirâmide, que simboliza a resistência e a bravura dos combatentes e uma estátua. Tem, ainda, dois espelhos de água que retratam os rios Cuito e Cuanavale.

A pirâmide é sustentada por três pilares que simbolizam os ramos das Forças Armadas Angolanas (FAA).

No terraço do monumento, está colocada uma peça em vidro, onde podem ser depositadas flores em homenagem aos combatentes tombados.


Fonte: Jornal de Angola












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