Tchitundo-Hulo

Tchitundo-Hulo

O complexo rupestre de Tchitundo-Hulo, em Capolopopo, é um dos tesouros culturais mais valiosos de Angola.

No meio do deserto do Namibe, em caminhos que só se chegam com olhos habituados ao nada, milhares de figuras cobrem cerros e pedras. As pinturas rupestres de Tchitundo-Hulo são impressão digital dos povos que habitaram estas terras muito antes da chegada dos bantos. Giramos a bússola para o sul. À procura de respostas.

Há muitos, muitos anos, as paredes das rochas do deserto sul viraram tela. Um enorme mural ao ar livre com milhares de figuras coloridas. A maioria, desenhos abstractos e circulares – talvez o universo em si mesmo, o cosmos visto nas noites limpas do deserto -; outras poucas, mais reconhecíveis, com antílopes e cobras a marcar o traço.

O complexo rupestre de Tchitundo-Hulo, em Capolopopo (município do Virei, Namibe), é um dos tesouros culturais mais valiosos de Angola. A quantidade impressionante de gravuras data de épocas remotas – há quem diga 2000 anos, há quem diga 4000 – e ocupam várias estações: Tchitundo-Hulo Mulume, a primeira a ser encontrada; Tchitundo-Hulo Mucai e as Pedras da Lagoa e das Zebras. São morros graníticas, tectos e paredes salpicados de histórias ainda hoje por decifrar.

As gravuras começaram a ser estudadas em 1952, por Camarate França. Mil e uma teorias têm surgido desde então para explicar esta obra-prima dos povos do deserto.

Tudo indica que o lugar foi um importante ponto de passagem dos primeiros habitantes da região, os Cuissis. Povo anterior à chegada dos bantos que poderão ter escolhido o lugar como acampamento ou catedral ritual.

Mas isso foi apenas o ponto zero. O mais fascinante do Tchitundo-Hulo é que marca uma forte tradição de milhares de anos. Dizem os académicos que a diversidade de traços, a maior ou menos visibilidade das gravuras é um sinal que desde os primeiros povos até tempos mais recentes, o morro do Tchitundo-Hulo nunca deixou de ser pintado. Pré-histórico e contemporâneo, Cuissi e Herero, o antes e depois ali representado.

Na verdade, a estação do Tchitundo-Hulo pode ser uma simples peça de um enorme puzzle que cobre o Namibe. As autoridades já identificaram na região um total de 18 estações arqueológicas similares, algumas a centenas de quilómetros de distância. O desafio de identificar os pontos de interesse, junta-se ao da preservação. A erosão das rochas, o vandalismo de gente que não entende o valor das gravuras, e a falta de medidas para conservar o lugar ameaçam a história milenar do Tchitundo-Hulo. A placa oficial inaugurada pelo governo lá está, a marcar a intenção. Mas isso não é suficiente.

Circunferências, linhas rectas, mapas do céu e das estrelas que há milhares de anos cobrem o deserto. Olhos-ritual, local de passagem e sambos que já não existem. Povos de para lá de antes, do antes e do depois. Todos reunidos num mesmo lugar com os seus pensamentos e formas de ver o mundo. Este lugar é mágico e esconde respostas a perguntas eternas. Frequentado deste tempos remotos, o Tchitundo-Hulo pertence a uma vasta região que começa a ser vista por alguns cientistas como o verdadeiro berço da Humanidade. As nossas terras do sul podem esconder assim, debaixo da terra seca, a chave da vida, o início do Homem.

Viaje pelo deserto e ajude a difundir e conservar esta parte da nossa História. Angola não começou com os reinos bantos do Kongo ou Ombaka. Houve outros reis antes dos manikongos, de Jinga e Ngola Kiluanji. As impressões digitais dos primeiros habitantes do que hoje é o nosso país lá estão. Descubra-as.

 

Como ir
A estação de Tchitundo-Hulo localiza-se perto de Capolopopo, no município do Virei, 137 km a leste da cidade do Namibe. Aconselha-se a viajar numa viatura todo-o-terreno, com um guia que conheça bem a região.

Texto: Rede Angola

Video do youtube:

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