Capela Nossa Senhora do Monte

Capela Nossa Senhora do Monte

COMPLEXO DA NOSSA SENHORA DO MONTE

Situada no topo da cordilheira da Chela, a Capela da Nossa Senhora do Monte é um santuário de peregrinação religiosa católica que se reveste de grande simbolismo e importância para os católicos do Lubango e não só. O processo de construção da respetiva capela não pode ser dissociado do objectivo colonial em curso na época pois, a mesma servia para consolidar a fé católica no distrito da Huíla entre os nativos e, entre os portugueses (principalmente madeirenses) implicados no processo colonial. Entretanto, a escolha daquele local está também relacionada ao facto de ter havido um projeto de construção dos caminhosde-ferro de Moçâmedes que, no sentido de evitar o centro da cidade, devia circundar a cordilheira da chela. Depois de terraplanados vários quilómetros, as obras foram interrompidas por conta de uma depressão na qual devia ser construída uma ponte para facilitar a travessia da locomotiva de um lado para o outro. A tentativa de construção da respectiva ponte contou com a morte de muitos operários e, por altura da interrupção das obras, decidiu-se pela construção de um santuário para simbolizar a Nossa Senhora (mãe de Jesus) e, cumulativamente para apaziguar as almas perdidas durante a tentativa de construção da ponte.

A construção da capela pode ser analisada em dois momentos: (1) construção de uma capela primitiva, orientada pelo pedreiro Jacinto Rodrigues e o carpinteiro João da Silva. Ainda se encontrava em construção, quando em 15 de Agosto de 1902, o pároco celebrou uma missa campal junto à inacabada ermida, usando uma imagem de Nª Senhora da Conceição. Foi Venâncio Ferreira Rodrigues quem adquiriu, no Porto, a imagem de Nª Senhora do Monte, em cumprimento a uma promessa feita. Essa imagem chegou ao Lubango em 29 de Junho de 1903. Concluída a primitiva capela, o novo pároco Padre José Martins, em nome do Bispo de Angola e do Congo abençoava-a em 14 de Agosto de 1903. A partir do dia 15 de Agosto de 1903 a população do Lubango passou a dirigir-se à capela para celebrar a romaria que se tornou tradicional; (2) Em 1919, João Henrique de Azevedo idealizou e desenhou uma capela mais ampla e que podia ser visível a partir de qualquer canto da vila e foi inaugurada em 1921. A partir de 1930 a imagem era trazida processionalmente da capela para o parque, pois, muitos madeirenses, já idosos, não tinham forças sufcientes para subir ao local da capela. Houve várias interrupções nas romarias e a última aconteceu em 1975 com o advento da independência de Angola, tendo reiniciado apenas em 1986 (Sousa, 2013).

Apesar de ter sido construída outra capela no cimo da Serra da Chela, o local continuou a ser insufciente para albergar um grande número de féis que a ela acorriam. Assim, no sentido de acomodar mais féis, o arquiteto Frederico Ludovici concebeu um projeto a céu aberto num espaço abaixo a capela onde são hoje realizadas as missas do mês de Agosto, altura em que o fuxo de féis é maior. O acesso a capela é feito através de uma estrada asfaltada que serpenteia a serra numa distância aproximada de 300 metros até ao espaço destinado a missa campal que é um plano. Seguidamente observa-se uma escadaria de 200 metros em direção a capela construída na serra. De um lugar inicialmente elitizado (predominância de portugueses) passou a ser um espaço de adoração frequentado por féis de várias nacionalidades e extractos sociais. A capela constitui hoje um símbolo do catolicismo no Lubango e o mês de Agosto representa o ponto mais alto das celebrações à ascensão de Nossa Senhora, mãe de Jesus.

A procissão O dia 14 de Agosto tem sido marcado pela procissão de velas a partir da Capela da Nossa Senhora do Monte para a igreja da Sé Catedral (construída em 1955). Há um número signifcativo de féis envolvidos neste processo que vão marchando lentamente pelas artérias da cidade, recitando o terço, fazendo a oração do pai nosso e pedindo a graça e a misericórdia da Nossa Senhora. A imagem de Nossa Senhora de Assunção oferecida por Venâncio Ferreira Rodrigues passou a ser o símbolo e a imagem de eleição para a procissão ao monte dos católicos destacados no Lubango. A romagem é feita no dia 15 de Agosto e começava na Igreja de Nossa Senhora de Assunção (construída em 1963, conhecida por igreja da Lage). Seguidamente, era levada em procissão automóvel para a zona da estátua da liberdade onde, através de uma procissão pedestre era transportada ao ombro até a capela situada no monte. Atualmente, a procissão tem partido da igreja da Sé Catedral.

Carregado o andor até a Capela do Monte, realiza-se uma missa em homenagem a padroeira. Inicialmente, a padroeira era depositada no interior da capela e fcava por lá. Devido a assaltos sucessivos por conta das quantias monetárias que eram depositadas no interior da capela, principalmente pelos féis que realizavam as suas promessas no exterior da capela e colocavam o dinheiro por debaixo da porta, o andor passou a ser depositado na igreja da Sé Catedral. Depois de alguns anos com atividades circunscritas a procissão de Agosto, hoje se pode observar a organização de cultos duas vezes por semana (às sextas com a reza do terço e aos domingos com uma missa na explanada) e um forte movimento para a revitalização da mística da Capela da Nossa Senhora do Monte

Fonte: Helder Alicerces Bahu Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED-Huíla)

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