Estação Arqueológica do Dungo

Estação Arqueológica do Dungo

O Dungo é um rio seco (oued) que recebe uma série de tributários, desaguando numa superfície arenosaaluvionar formada pela descargas anuais. Estes cursos de água ao longo de milhares de anos terão deixado à vista em vários locais concentrações de artefactos e restos de talhe provavelmente em resultado do desmantelamento de carcaças de animais marinhos ou de animais terrestres de médio e grande porte, como os antepassados dos ungiris ou olongos (Tragelaphus strepsiceros) ou mesmo elefantes, atendendo ao tamanho dos instrumentos de corte.

As estações foram estudadas do ponto de vista geológico pelo Dr. Mascarenhas Neto dos Serviços de Geologia e Minas de Angola em 1956, pelo Professor Gaspar de Carvalho que em 1960, que recolheu várias peças líticas, algumas das quais foram oferecidas ao Museu de Antropologia Mendes Corrêa no Porto. Sobre elas resultou um estudo e uma publicação do Dr. Carlos Ervedosa em 1967.

Em 1973 ( com o Dr. Vitor de Oliveira Jorge) e em Janeiro de 1974 visitei a estação de onde foram recolhidas algumas dúzias de bifaces que foram depositados no Museu de Arqueologia dos Cursos de Letras, no Lubango.
Estas foram alvo de alguns estudos de tipologia por parte de alunos, dos Cursos de Letras.

A partir de 1976 por iniciativa de Luís Pais Pinto foram realizadas novas prospecções e anos mais tarde o Dr. Manuel Gutierrez ao abrigo de um acordo de cooperação com o Centre National de Recherches Scientifiques, realizou, em conjunto com uma equipa do Museu Nacional de Arqueologia de Benguela um estudo aprofundado que incluiu escavações e do qual resultou um conjunto de datas atribuindo às estações do Dungo (IV e V) primeiras datações ( na foto onde estamos sentados e do outro lado podem ver-se a camada arenosa que cobre as camadas arqueológicas. a meio a mulola do Dungo) obtidas por métodos científicos.


Aquele arqueólogo francês dirigiu uma equipa ( Claude Guerin, Maria Lena e Maria da Piedade de Jesus) que acabou por descobrir um lugar de "desmontagem" de uma baleia azul ( Balaenoptera sp.) realizada por um grupo de caçadores-recolectores do Paleolítico Antigo e que deixou no local mais de 57 peças, entre bifaces, machados, lascas de diferentes tamanhos e restos de trabalho para obtenção de utensílios, para além dos restos do esqueleto do cetácio.

É de assinalar que o local dista mais de 3 km da costa e a 65m de altura do nível médio das águas, onde deveria existir uma praia do género da Caotinha ou da Baía Azul. O animal foi esquartejado no lugar onde deu à costa e deve ter alimentado o grupo durante um período longo, uma vez que a carne poderia ter sido conservada seca ao sol ou fumada, há mais de 300.000 anos. [ in Exploitation d'un grand cétacé au Paléolithique ancien: le site de Dungo V à Baia Farta (Benguela Angola) - Gutierrez et al. Contes Rendus de lÁcademie des Sciences IIA pages, 357-362, 2001)


O esqueleto da baleia posta a descoberto pela equipa do Dr. Manuel Gutierrez na estação Dungo V

Na praia do Chamume, perto do local, são visiveis vários esqueletos de baleias da mesma espécie que dão à costa, ainda hoje. Terá sido por essa razão que se terão mantido durante provavelmente várias dezenas de anos grupos nómadas sazonais do Acheulense e de épocas posteriores.

A partir de 150.000 anos antes de nós, o clima em Angola tornou-se progressivamente mais seco e o local terá sido invadido pelas areias do Kalahari que terão coberto todo o litoral até provavelmete Luanda. Ao mesmo tempo o mar terá baixado de nível progressivamente à medida que as calotes de gelo aumentavam nos polos, ficando o local, antes batido pelas ondas longe do mar e muito acima do seu nível. Os vestígios de actividade económica dos caçadores-recolectores foram cobertos por dunas de areia de cor vermelha, ainda hoje, em alguns lugares, de um lado e de outro da mulola do Dungo, a altura chega aos 20 metros acima da formação rochosa onde assentam os artefactos.

Provavelmente só viria a ser "ocupada" em períodos mais recentes da cultura Wilton, com os antepassados dos vassekele ou dos Kuissis por volta de 5.000 antes de nós quando o clima se tornou mais favorável.


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