NA ROTA DAS 7 MARAVILHAS NATURAIS DE ANGOLA

NA ROTA DAS 7 MARAVILHAS NATURAIS DE ANGOLA

Trevogel – Turismo Rural e Aventura

Hoje, passamos a publicar na integra a Mensagem de Boas Vindas proferida às 12:00 da pretérita Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014, no Nganda mwa Sweja, por Sua Magestade Ndumba Alberto, Mwene Mwachisengue-Wa-Tembo, o soberano Rei dos Chokwe, quando recebia em audiência o primeiro grupo de turistas nacionais e estrangeiros em visita a provincia angolana da Lunda Sul, no âmbito da promoção e divulgação do projecto “Na Rota das 7 Maravilhas Naturais de Angola”, uma iniciativa da operadora turistica autóctone, Trevogel – Turismo Rural e Aventura.


 

 

 


 

MENSAGEM DE BOAS VINDAS

“É motivo de bastante alegria e satisfação para nós, ter-vos aqui presentes na terra dos nossos antepassados Mwambunba, Mwakanhika, Mwandumba, Nakapamba, Mwamushiko e outros descententes de Tembo Kalunga, Tumba-Kalunga e Chitu-cha-Kalunga, gerados por Namutu e Samutu.

A vossa presença é uma ocasião sublime para o conhecimento da realidade histórica do povo Chockwe, cuja história tem sido deturpada por muitos.

O que podeis constatar aqui e em outras localidades por onde passastes ou haveis de passar, não reflete a realidade da nossa forma de organização sócio-cultural.

O nosso poder real é estruturado da seguinte forma:

  • 1.      Mwene Mwachisengue Ndumba wa Tembo – Sua Magestade
  • 2.      Mianangana (equiparados a Regedores) – Membros da Corte Real (cada um com a sua respectiva região de influência onde exerce o seu poder de forma autónoma).
  • 3.      Miata (equiparados a Sobas) – responsáveis de grandes e pequenas povoações adjacentes.

 

A capital do Reino chama-se Limbo (cidade capital) e tem como simbolos do poder, os seguintes:

  • - Chipanda (o Palácio do Rei, construido dentro de um cerco de pau-ferro);
  • - Chota (Casa das Leis, situada no centro da comunidade, onde são tomadas importantes decisões sobre a vida das populações);
  • - Makombe (local onde são guardados os simbolos do poder ostentados pelo Rei: lukano, mufuka, mukwale, chipangula e lupula).
  •  

Infelizmente, a nossa história e a nossa identidade cultural vão desaparecendo por falta de politicas e meios para o seu resgate e preservação. Como se pode ver, o que acima enumeramos como símbolos do poder tradicional do povo Chokwe, não os podemos contemplar.

Vimos, muito recentemente através da TPA (Televisão Pública de Angola), a construção, pelo Governo da Provincia do Huambo, na capital do Reino do Bailundo (a chamada Ombala), de um grande Palácio Real e residências condignas para cerca de 30 Regedores locais. Esperamos, igualmente, virmos também a ser contemplados a breve trecho.

O poder real hoje, concentra-se única e exclusivamente na pessoa do Rei e este, na actualidade, não tem gabinete de trabalho onde funcionar e nem infraestruturas de apoio adaptadas a realidade actual.

Quanto à preservação da História do Povo Chokwe, necessitamos com urgência de ter um Museu Real que o Estado pode organizar, onde se possa concentrar todas as peças do nosso artesanato, olaria, palhaços, instrumentos musicais, etc, para além de uma biblioteca e sala de consulta dos nossos mais velhos.

A nossa história, apesar de só ter começado a ser escrita em finais do século XIX por Henrique de Carvalho, continua preservada na memória do povo através de contos que passam de geração em geração. Somos originários do Lundu-ni-Senga, uma área situada entre os lagos Moero e Tanganika, na região dos Grandes Lagos. Percorremos centenas de milhares de kilómetros em busca de novas terras, depois da turbulência criada por Lueji ao transferir o poder ao caçador Luba, Txipinda Ilunga.

O primeiro a partir foi Chinguli, o irmão mais velho da Lueji. A saída dos Chokwe de Lundi-nhi-Senga, foi minusiosamente preparada. Foram ponderadas quastões de ordem logistica, formas de travessia de rios, grupos de avanço, etc, uma operação que levou anos para ser concretizada.

O grupo de avanço foi chefiado por Fota e tinha como missão, escolher as melhores vias por onde as caravanas podessem passar. Qualquer obstáculo maior era contornado e os pequenos eram superados com medidas paleativas.

No caso dos rios Cassai e Liambeji (actual Zambeze), eram contornados pelas nascentes, ao passo que os outros eram transpostos através de pontes precárias de pau, construidas pelo grupo chefiado por Nguji. Ao Chitelembe foi confiada a logistica, ou seja, comandar as operações de caça, pesca e de colecta de frutos silvestres para alimentar a população em marcha.

Ao longo de todo o percurso que levou muitos anos, foram criados vários acampamentos de passagem onde permaneciam longos dias ou meses para se renovarem as energias e depois retomar-se a marcha.

Atingida a outra margem do rio Luau, depois da caminhada ao longo do rio Cassai em busca da sua nascente, as primeiras comunidades começaram a instalar-se no actual território da província do Moxico. Era a caravana encabeçada por Mwamushiko, que foi se espalhando até atingir Kamanongue e Luena. Outros foram até Menongue, provincia do Cuando-Cubango.

O grosso da caravana seguiu o curso do rio Cassai em busca da sua nascente para o atravessarem em direcção ao actual território Lunda.

À escassos quilometros da nascente, foi localizada uma área que facilitava a atravessia a pé em chuto, a qual a denominaram de Muwewe.

Este é apenas um “cheirinho” da história que precisa ser compilada por escrito e divulgada.

Criem-nos as condições e tereis mais conhecimentos à cerca deste povo cuja riqueza cultural representa 90% das peças expostas nos museus de Luanda, Benguela e Huila, assim como simbolos da cultura angolana no exterior do país com destaque para as estatuetas Samanhonga (o pensador) e Mwana-Pwo (a máscara feminina).

A nossa aposta está na recuperação, valorização e divulgação da nossa identidade cultural e publicação da nossa história.

Somos Chokwe e não Lunda-chokwe como hoje nos chamam!

Do Lundu-nhi-Senga até aos territórios que hoje ocupamos em Angola, Zâmbia, Congo Democrático, Tanzania e Moçambique, somos o povo Chokwe.

Os Lunda falam lunda e têm a sua própria identidade cultural (danças, música, artesanato, etc), assim como os Luvale também têm aquilo que os identifica e os diferencia do Chokwe e dos Lunda.

Os Lunda não dançam chianda, muwango, chikapa; não têm palhaços, tais como chikungu, katwa, chihongo, kalewa ou chitenu; os seus hábitos alimentares são diferentes dos nossos. Logo, nada nos confunde com os Lunda, apesar de termos a mesma área de origem (Lundu-ni-Senga).

No passado recente fomos chamados de Quiocos, nome que não nos identificava; hoje chamam-nos de Lunda-chokwe, uma forma de deturpação da nossa identidade.

Caros visitantes, queiram aceitar os nossos votos de bom turismo e boa estadia nesta parcela do território angolano.

Esperamos que a vossa visita venha a contribuir para um melhor conhecimento da história e cultura Chokwe.

Contamos convosco, como angolanos que sois.

Bem haja a nossa Angola!”

Reino Chokwe de Mwachisengue-Wa-Tembo, aos 10 de Novembro de 2014

O Rei,

Ndumba Alberto

Mwene Mwachisengue-Wa-Tembo

 

Enviado por: Candido Carneiro (Trevogel – Turismo Rural e Aventura)

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