MONTANHAS ABENÇOADAS

MONTANHAS ABENÇOADAS

A sul de Benguela, sobranceiro às Baía Azul e Baía Farta, o CV Lodge & Spa recebe-nos de braços abertos, com o lazer numa mão e o requinte na outra

Cerca de dez quilómetros separam a cidade de Benguela do CV Resort e Spa. A viagem faz-se de forma tranquila e descontraída, mercê da fantástica paisagem natural, repleta de montanhas e vegetação. A estrada é boa e, por sinal, a mesma que segue para a Baía Azul e Baía Farta, algumas das referências do turismo benguelense. A nova coqueluche do turismo nacional encontra-se “encravada” entre uma zona montanhosa e a dois minutos do litoral, onde se pode observar as maravilhosas praias das terras de Ombaka. Numa altura em que se fala na aposta no turismo nacional, o CV Resort e Spa é o espaço ideal para férias com familiares e amigos. Tem tudo lá dentro, desde comodidade, paisagem, monumentos, flora e fauna. Ao longo de 130 hectares há espaço para as mais diversas valências, com um quarto do espaço dirigido aos alojamentos e 100 hectares para o parque dos animais, uma das principais atracções do resort. Esta zona, à boa maneira dos parques sul-africanos e na mibianos, está reservada para realização de safaris. Aliás, os antílopes foram importados dos dois países mais a sul. As iniciais da marca coincidem com o nome do proprietário, Carlos Viegas, empresário de Benguela ligado ao sector pesqueiro. A comunhão arquitectónica do CV Resort e Spa com a região começa logo à entrada, com um portão coberto por tecto de capim seco que também vemos na cobertura de bungalows, inspirados em casas tradicionais africanas. Antes, a equipa de segurança, trajada à medida para um cenário de safari, indicara o parque de estacionamento, o primeiro dos três que o complexo tem, cada um com capacidade para 25 viaturas. As ruas bem desenhadas e sinalizadas denunciam que este é um espaço novo. As calçadas feitas com rochas do Lubango, os pequenos jardins repletos de relva, plantas e candeeiros em madeira rústica envernizada – que de noite tornam o espaço num verdadeiro encanto – pintam o quadro a rigor. Alfredo das Neves faz as honras da casa. À medida que nos guia pelo resort, uma aposta firme do investidor que ao longo de alguns anos foi alocando o seu capital neste estabelecimento, Alfredo vai revelando os segredos da propriedade. O responsável, ligado ao turismo desde os 16 anos de idade, ex-director do Hotel Alfa em Lisboa, em Portugal, leva-nos a um espaço sui generis neste tipo de empreendimentos no país: um salão de exposição de automóveis clássicos, que chegam a superar 100 anos, das europeias Fiat e Morris, e da norte-americana Ford. Autênticas relíquias. Os edifícios do estabelecimento estão pintados de várias cores, mas não apenas para colorir o espaço. Foram pensados como forma de distinguir as diferentes áreas. Nas casas amarelas está o centro de comando da operação. Ao centro estão duas piscinas, uma delas para crianças, com bar de apoio. A maior atinge cinco metros de comprimento e dois de profundidade. À esquerda há mais uma cafetaria e a “pracinha”, com uma sala de jogos com mesas de snooker e ténis de mesa ao redor. Nesta área podem concentrar-se os clientes a ver um jogo de futebol na tela gigante ou em grandes celebrações, no que ajuda o palco com sistema de som surround. Há até um pequeno camarim para os artistas. O desvelo com que se preparou o espaço para os hóspedes abrange a loja de conveniência, onde se pode comprar, por exemplo, um calção de banho. “O nosso lema aqui é turismo de qualidade, futuro que entra por nós dentro”, diz Alfredo. Perante a juventude do país, o gestor assume que o turismo está em fase embrionária, e até diz que ainda não há oferta de qualidade em Angola... ou não havia, returque. “Queremos ser pioneiros”, diz o gestor.

CULTURA NACIONAL O CV Resort e Spa já tem 18 esculturas a representar símbolos nacionais e africanos, e alguns itens ligados à cultura, fauna e flora, nomeadamente a palanca e a chita, o elefante e o cavalo de raça. A máscara do Muquixi, mítica figura tradicional da cultura Lunda- -Côkwe (leste de Angola) aparece no centro do resort, numa dimensão que não a deixa passar despercebida. “São esculturas feitas por artesãos angolanos”, explica Alfredo das Neves. Do centro aos recantos do resort vamos percebendo o trabalho de conexão do espaço com a história e a cultura do país, mas Alfredo assegura que a angolanidade do espaço começa a montante: “Fizemos questão de realizar tudo em função da mão- -de-obra angolana”, diz.

Um artigo de: HAMILTON VIAGE em www.forbespt.com 

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