Estufa-fria do Huambo - O recanto da natureza na cidade

FOTO: ROSARIO DOS SANTOS
FOTO: ROSARIO DOS SANTOS

Huambo - A conclusão da requalificação da estufa-fria do Huambo, iniciadas em 2012, afigura-se de carácter urgente, tendo em conta as suas potencialidades culturais, históricas, turísticas e ecológicas, que, bem aproveitadas, podem constituir uma fonte de receitas para a província.

Com quase 112 anos de existência, a estufa-fria é um local público de múltiplas finalidades e representa um verdadeiro manancial de oportunidades por explorar, mormente no âmbito do ensino, investigação e geração de receitas para o estado, caso beneficiem de projectos exequíveis capazes de atrair turistas nacionais e estrangeiros.

Localizado entre quatro áreas de maior concentração populacional da cidade do Huambo, o empreendimento, com cerca de 44 hectares de superfície, é destino preferido de quem gosta de contemplar o verde da natureza e o contraste entre o silêncio, o som dos pássaros e o agitar suave das folhas ao sopro do vento.

A propósito das valências da estufa-fria, o especialista em gestão inter-disciplinar da paisagem, César de Osvaldo Pakissi, reconhece que a utilização racional das potencialidades da mesma pode tornar o local num grande espaço de valor económico, podendo render receitas para o estado.

Pequeno edifício projectado para adaptação de plantas importadas ou abrigo de plantas raras, a estufa-fria inclui ainda uma lagoa, que empresta uma ornamentação rara à cidade do Huambo.

Existem, no local, algumas espécies vegetais típicas, mas o que chama mesmo atenção, pelo menos dos leigos do campo da botânica, é a combinação final. São centenas de árvores de grande, médio e pequeno porte a acompanhar o declive do terreno, arruamentos e dois cursos de água doce, que se unem a poucos metros das suas fontes para encher a lagoa.

Além de toda esta harmonia paisagística, formando um visual atraente, também salta à vista a arquitectura do seu principal edifício, que, apesar de centenário, resiste ao tempo, combinando traços salientes da construção contemporânea e antiga.

A longa luta pela requalificação Após anos votada ao esquecimento, com parte do local a ser convertida em pequenas áreas de cultivo e o capim a crescer descontroladamente, num cenário que favorecia a deposição clandestina de resíduos sólidos, o governo da província decidiu, em 2010, pôr em marcha um plano de requalificação da estufa-fria.

Porém, devido às limitações financeiras, a materialização do plano viria a começar somente em 2012, com a limpeza geral, corte de capim, plantação de nova relva e flores e a remoção de vedações de chapas, que serviam como esconderijos de delinquentes e até mesmo de depósito de cadáveres de pessoas. Eram dados, assim, os primeiros sinais do longo projecto de requalificação que perdura até aos dias de hoje.

A finalidade era tornar a estufa-fria num local mais agradável para a população que lá se desloca para momentos de lazer, leitura e contemplação da sua diversidade biológica. Incluída entre os espaços públicos da cidade que receberiam uma atenção especial das autoridades, em curto espaço de tempo os sinais de abandono aos poucos foram desaparecendo.

Escassez de dinheiro dilata prazo da obra Lamentavelmente, por escassez de dinheiro, o prazo da conclusão das obras de requalificação, inicialmente definido para 2014, foi dilatado para mais cinco anos.

No começo, foram disponibilizados 138 milhões de kwanzas, aos quais se seguiram vários aumentos, para adaptação às alterações introduzidas ao projecto. Nos primeiros dois anos de execução, as obras de vulto concentraram-se no melhoramento do leito e das nascentes de água, na diminuição das profundidades laterais da lagoa, vedação do perímetro, remoção de resíduos urbanos e corte do capim.

Seguiram-se os trabalhos de pavimentação de pequenos arruamentos internos para transeuntes, abertura de acessos, colocação de tubos de encaminhamento de águas e montagem de alguns equipamentos urbanos. Rapidamente, a imagem de seca ostentada durante vários anos deu lugar ao verde e, assim, os cidadãos voltaram a fazer da estufa-fria o seu lugar de encontros e reencontros.

Os candeeiros públicos voltaram a acender. As paredes da estrutura de betão, erguida quase no centro do recinto, que já se denominou de “Granja de Experimentação Agrícola” e “Parque Almirante Américo Tomás”, foram pintadas, tornando-as mais atractivas.

Todavia, o progresso registado na obra não foi acompanhado pela consciencialização da população, já que, em diversas ocasiões, os equipamentos novos foram vandalizados, com realce para o sistema de iluminação. Em finais de 2018, a requalificação voltou a ser interrompida, por falta de dinheiro.

No entanto, existem perspectivas da sua conclusão proximamente, já que, segundo o chefe do departamento dos Serviços Comunitários do Huambo, as obras foram inscritas, este ano, no programa de despesas de apoio ao desenvolvimento de 2020.

Darci Morguier garante que, em caso de aprovação do projecto, no próximo ano, os trabalhos consistirão no apetrechamento da casa ecológica 2, aumento de cadeiras e mesas, na recolocação do sistema de iluminação pública, jardinagem e criação de um parque infantil. Um verdadeiro manancial de oportunidades por explorar Por se localizar próximo da maior zona académica da província do Huambo, a estufa-fria é frequentada, todos os dias, por centenas de estudantes, essencialmente do I e II ciclo do ensino secundário, bem como universitários.

É, também, frequentada por pessoas que procuram desanuviar a pressão causada pela rotina laboral ou que preferem o ambiente natural, ao invés do betão e a confusão da cidade. O especialista em gestão inter-disciplinar da paisagem, César de Osvaldo Pakissi, considera a estufa-fria um postal de visita que pode ser elevado à dimensão de pólo turístico e económico de referência para o país, apesar das condições actuais do local - pouco conservado e desprotegido. César de Osvaldo Pakissi, também professor universitário, defende que a requalificação em curso contemple a protecção e conservação da biodiversidade, com realce para os pássaros ali existentes, para que as espécies vivas do local possam suportar a pressão urbana.

Por seu lado, o professor Pedro Capitango, do Instituto Superior de Ciências de Educação, admite que a biodiversidade do local oferece condições básicas para auxiliar o processo de ensino/aprendizagem da disciplina de Biologia, sobretudo na vertente vegetal.

Sustenta que a estufa-fria é um repositório de plantas diversas, insectos e aves, que possibilita a realização de aulas práticas e a investigação das suas espécies, sublinhando que oferece oportunidades de observação e contemplação da natureza.

Pedro Capitango diz que utiliza o local há sete anos, para aulas de Botânica aos estudantes do 1º ano do curso de ensino da Biologia, reconhecendo, por isso, a importância da estufa-fria para aplicação de conhecimentos em contexto real.

O professor sublinha que os conteúdos abordados no local relacionam-se, sobretudo, à sistemática, morfologia vegetal, biodiversidade, ecossistemas e educação ambiental, no caso do ensino superior, enquanto para o ensino secundário (I e II ciclos) podem ser dadas aulas de diversidade dos seres vivos, classificação dos vegetais, flora angolana e organografia vegetal.

Citadinos expectantes com conclusão da requalificação Os citadinos mostram-se satisfeitos com a requalificação da estufa-fria, esperando que possa recuperar o estatuto que ostentou no passado, que fez dela um dos lugares mais conhecidos da província do Huambo. Por este motivo, alguns enaltecem a iniciativa do governo, que visa recolocar a estufa-fria no leque dos principais destinos turísticos do país, tal como era antes de 1991. Manuel Alexandre, que frequenta a estufa-fria para estudar, prevê que, depois de concluídos os trabalhos, o local poderá suprir o défice de zonas de lazer e estimular o surgimento de pequenos negócios à sua volta.

Quem também se manifesta satisfeito é Zeferino Feliciano, morador na zona adjacente, recordando que a zona sempre fez parte da história da cidade do Huambo, sendo um local apropriado para o recreio.

Por sua vez, a citadina Madalena Jaulo, residente na parte baixa da cidade, ansiosa pela conclusão das obras de requalificação, realça que a urbe necessita, urgentemente, de zonas de lazer como a estufa-fria.

Criado entre 1907 e 1909, o espaço foi criado como granja agrícola para experimentação de plantas florestais e alimentares, além de servir de reeducação de presos, dando origem, alguns anos depois, ao surgimento da Estação Experimental do Sacahála e ao Instituto de Investigação Agronómica da Chianga.


Fonte: Angop





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