Especialistas pedem mais educação ambiental

Especialistas pedem mais educação ambiental

Luanda - Ambientalistas angolanos sugeriram, esta sexta-feira, a implementação de um programa nacional sobre educação ambiental, a fim de facilitar a regeneração dos ecossistemas.

Falando à Angop, a propósito do Dia Mundial do Ambiente (05 de Junho), consideraram que esse passo vai ajudar a sociedade a encarar os "enormes desafios" do país nesse domínio.

Apesar de o Mundo registar melhorias na qualidade do ar, face à redução de gases de efeito estufa e outros poluentes, recomendaram que os governos, incluindo o de Angola, comecem já apensar na era pós-Covid-19.

Para tal, os especialistas sugerem a criação de programas alternativos e viáveis para a regeneração do ecossistema, por forma a mitigar o impacto da degradação ambiental.  A esse respeito, o presidente da Associação Nação Verde, Nuno Cruz, disse que, nessa altura, pode-se prever uma poluição grande, devido ao tratamento inadequado dos resíduos perigosos (luvas e máscaras) usados para conter a Covid.

"Há serem depositadas em locais impróprios,  podem causar impacto negativo e ser um veículo da contínua transmissão desta doença", alertou. Para evitar esse quadro, considerou necessário um trabalho de consciencialização ambiental nas comunidades, por forma a preservar os ganhos conseguidos durante a pandemia.

Reconheceu, no entanto, estar a acontecer, durante esse período de quarentena, a regeneração dos ecossistemas, por causa da  diminuição de poluentes no meio ambiente.

Para Nuno Cruz, é preciso que se repense, por outro lado, numa educação ambiental para o ensino de base, como uma cadeira chave, de modo a que o aluno saiba além do que se aprende na disciplina de estudo do meio.

Por sua vez,  o ambientalista Vladimir Russo diz haver necessidade de o homem repensar o seu comportamento e papel na natureza, devendo manter as boas práticas desse período, para assegurar o permanente equilíbrio da Terra.

Para si, apesar da aparente melhoria do homem em termos de abordagem das questões ambientais, nesse período de confinamento social, há ainda um conjunto de problemas que se manifestam e poderão emergir no pós-Covid.

Por isso, julga ser a altura para implementar a Agenda Global Sobre o Clima, pelo que Angola deve passar a olhar mais para a questão da gestão dos resíduos e do fomento da indústria de reciclagem e reutilização do lixo.

Acredita que só assim se poderá evitar a contaminação do lençol freático e fazer que o lixo continue a desembocar no mar. Já a ambientalista Ilda Quianica considerou o período de Covid-19 como de reflexão, quer do ponto de vista social, quer ambiental, devido à maneira como se interage com o meio ambiente.

A especialista avança que a poluição do ar, o abate indiscriminado de árvores, caça furtiva e até mesmo o desrespeito, por aqueles que têm o dever de cuidar da natureza, comprometem a sustentabilidade do meio ambiente. Acredita que o pós Covid-19 será um período novo, de reflexão e adopção de novas medidas, para garantir um ambiente equilibrado, como se tem verificado com o regresso de algumas espécies para as zonas de origem.

Manifesta preocupação com o facto de, no fim do período Covid-19, registar-se, novamente, um "bom" nas acções humanas contra o ambiente, causando danos irreparáveis ao ecossistema. "Antes de qualquer atitude ou acção no pós- Covid-19, temos que aproveitar começar a implementar normas e regras, para que as pessoas e empresas cumpram o legislado sobre o meio ambiente", sugeriu.

Defende a implementação dos planos de gestão de resíduos, recolha selectiva e o modo de educação das pessoas, para a garantia de um meio ambiente saudável.

No seu entender, depois que a pandemia for controlada, os Estados devem evitar ao máximo a utilização de gases poluidores e destruidores da camada de ozono, controlar o saneamento básico e as actividades humanas, além de cumprir com rigor a legislação ambiental.

Considera ainda necessária a promoção de uma reflexão séria sobre o nível de cumprimento das regras sobre a protecção do meio ambiente, a aplicação de regras mais duras e cumprimento do que se pensa sobre o meio ambiente.

O Dia Mundial do Ambiente foi instituído em 1972, por altura da Assembleia Geral das Nações Unidas, com a finalidade de criar uma postura crítica e activa em relação aos problemas ambientais existentes no planeta.

A criação da data marcou a abertura da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, conferência essa que ficou conhecida como Conferência de Estocolmo.




Fonte: angop

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