ENTREVISTA COM O DIRECTOR NACIONAL DA HOTELARIA E SIMILARES

ENTREVISTA COM O DIRECTOR NACIONAL DA HOTELARIA E SIMILARES

Tem um sorriso que cativa e fala pausadamente. No seu olhar entendemos que o futuro já cá está, no seu horizonte a certeza de uma Angola onde impere a qualidade na hotelaria e similares. É um dos jovens quadros da nova Angola, firme nas suas convicções. Afonso Vita, Director Nacional da Hotelaria e Similares, é um aliado de todos os que no nosso País procuram que a hotelaria e similares desempenhem um papel relevante no panorama nacional.

TURISANGOLA – Qual é o número de unidades hoteleiras previstas para abrir e em que províncias?

DR. AFONSO HENRIQUES VITA – O que posso dizer é que há vários empreendimentos em construção, começando pelo Cuando Cubango, onde ouvimos do General que, até o final deste ano, teríamos mais 12 empreendimentos a abrir e todos nós acompanhamos a velocidade com que os empreendimentos se estão a erguer no Cuando Cubango. Sei que o Cuando Cubango é a província que, em termos de construção de empreendimentos, está mais adiantada em relação às outras, mas nas outras províncias também os investimentos estão a ser realizados, como por exemplo, em Benguela, aonde estivemos de visita a semana passada e se vai abrir um hotel de 100 quartos, que pertence ao Grupo Imogestin e pretende ser um hotel de 4 estrelas na Restinga – Lobito e outros. O Grupo Chicoil, que abrirá um hotel na Lunda Sul, com cerca de 150 quartos, que também poderá ser aberto a qualquer momento, talvez no próximo ano. Em Luanda temos o imponente hotel Intercontinental no eixo viário, com 390 quartos.
Ao abrir, este hotel será o maior hotel do País e temos também o hotel Gyka em construção e estado avançado em termos de obra, que prevemos também que abra no próximo ano. Sem no entanto esquecer da gama de hotéis das três A, que também esperamos a qualquer  momento que abram.

 

– Nos bastidores comenta-se que algumas importantes cadeias hoteleiras internacionais já acrescentaram projectos para a construção de hotéis em Luanda, confirma?

– Não confirmo essa afirmação. O que posso dizer é que, até ao momento, ainda não recebemos nada em termos oficiais vindo das grandes cadeias. Sei que houve alguns contactos da Hilton, cadeia americana, no sentido de localizarem um espaço para se construir um hotel, mas até ao momento não há ainda nada em termos práticos. Quer dizer que continuamos à espera, agora se há outras cadeias em movimento, estamos à espera de contactos oficiais.

– Qual é a oferta actual de quartos em Angola?

– Devo dizer que, neste momento, o País conta com 186 hotéis e 10.056 quartos, o que corresponde a cerca de 13.500 camas. Portanto é necessário precisar que não contamos só com hotéis, o País ou a oferta hoteleira têm também outros empreendimentos de alojamento, como aldeamentos turísticos, como apart hotéis, como pensões, um conjunto turístico na Huíla, hospedarias e outro tipo de alojamentos. Não contamos só com hotéis, mas é preciso dizer sim, o maior numero são os hotéis.

– Os preços têm sido muito contestados, quer da restauração, quer do alojamento. Os empresários argumentam que os custos não param de aumentar. Qual a opinião do M.H.T sobre esta discussão?

– Falar de preços é algo complexo, mas também é preciso reconhecer que a matéria-prima, falo de produtos alimentares, já foram mais caras no passado. Quer dizer, agora que a nossa agricultura está a dar sinais positivos em termos de produção, pensamos que também deveria haver um sinal de baixa de preços na hotelaria, mas parece-me que não é o caso. Falam da água, da energia, enfim, sabemos também que o Estado está a fazer um esforço em termos de investimentos na electricidade, mas também nem com isso os preços estão a baixar.Sabemos que na energia nos arredores de Luanda tem havido problemas, mas no casco urbano já não é o caso, mas os preços mais caros dos hotéis estão no casco urbano. Com a água também é a mesma coisa, os problemas de água são mais nos arredores de Luanda, mas os preços no casco urbano dos hotéis continuam a ser elevados. Quer dizer, eu não sei se há algum aproveitamento por parte dos nossos operadores, porque já era tempo de começarmos a dar sinais de baixa de preços. Portanto, é preciso dizer que quando se fala de preços altos, não é de Cabinda ao Cunene, é preciso particularizar a situação de Luanda, porque é em Luanda onde nós não encontramos, por exemplo, nos hotéis de 4 estrelas, preços abaixo de 30.000 Kz. Mas se formos aqui a Benguela, vamos encontrar hotéis de 4 estrelas a cobrarem 17.000 / 18.000 ou 20.000 Kz. Portanto eu acho que não podemos falar de Angola em termos de preços, mas sim de Luanda, que é a capital do País.

– Recentemente, o Sr. Ministro da Hotelaria e Turismo anunciou num despacho que os empresários deveriam tomar medidas na defesa dos quadros angolanos. Que razões motivaram esta tomada de posição?

– Primeiro é de louvar o Despacho 045 do Sr. Ministro da Hotelaria e Turismo, porque não podemos permitir que, estando em Angola, com cerca de 40 anos de independência, continuemos a assistir a quem vem para aqui, dizendo que vai apoiar o País no seu crescimento, em colaboração, prestando o seu saber fazer para ensinar o angolanos, chegue aqui e não transmita aquilo que sabe fazer e ainda por cima maltrate os nossos compatriotas, com salários que não têm nada a ver com aquilo que eles ganham. Portanto, é isso que motivou o Despacho de sua Excelência o Sr. Ministro, em defesa dos cidadãos nacionais, o que nós achamos que é uma questão de justiça e até de cidadania.

– A carência de mão-de-obra especializada é grande, sabemos que a primeira escola hoteleira vai ser construída. Será um hotel-escola, onde ficará localizada? Quantas escolas hoteleiras tem o governo previstas e em que províncias?

– Para a primeira escola foi lançada a pedra cá na Província de Luanda, no Ramiros e vai ser um hotel -escola. Portanto, pelo que sei, levará 12 meses em termos de obra, pelo que prevemos a sua abertura para o próximo ano de 2015. Também nesta gama de escolas, Huambo, Uíge e Moxico também constam deste programa de hotéis-escola e já estão aprovados os orçamentos e portanto a qual- quer momento começam também o arranque. Mas também há duas semanas estivemos no Cuando Cubango e vimos que a escola desta província já está em construção. Dentro deste pacote também outras províncias, como Benguela, poderão ver as suas escolas a surgirem.

– Temos leis que são do tempo colonial e outras promulgadas depois da independência e uma legislação que está antiquada. Para quando será a saída do pacote legislativo?

– A legislação está antiquada, sim, mas há muita coisa ainda boa nesta legislação que é válida, hoje. Mas respondendo à pergunta, quero dizer-lhe que está na forja uma nova legislação actualizada que vai ser deste ano. Caso não seja possível poderá ser no próximo ano, mas estamos a prever que seja para este ano. Esta lei vai trazer novos conceitos que não faziam parte da antiga lei e também traz uma série de inovações em termos de dimensões dos quartos. Esta lei já prevê também a decoração, por exemplo, dos nossos empreendimentos hoteleiros: nas áreas públicas deve haver motivos culturais e históricos angolanos, quer dizer, em vez de aceitarmos aquelas decorações que são importadas, queremos agora que se valorize aquilo que é a nossa cultura e a história em termos de decoração. A lei traz também uma outra novidade, que tem a ver com o acesso à entrada para a recepção do hotel, para que haja uma placa de protecção que permita aos hóspedes passarem com as viaturas para se protegerem, por exemplo, contra a chuva. Podemos ver que o hotel Victoria Garden já se antecipou aos acontecimentos, quer dizer, a lei não previa isso, portanto agora vai ser obrigatório, um hotel para ser considerado hotel deverá de ter este requisito. A outra novidade que traz é que os hotéis de 5 estrelas terão de ter mais de 3 restaurantes para serem um hotel de 5 estrelas e que a capacidade em cada restaurante tem de ser compatível com o número de ocupantes dos quartos, sendo isto também uma novidade. Quer dizer que um hotel que se pretende que seja de 5 estrelas, se não tiver 3 restaurantes é uma condição para não ser de 5 estrelas. A suite presidencial já era obrigatória, já existe hoje em todos os hotéis de 5 estrelas. Também como forma de protegemos a nossa cultura, esta lei vai obrigar também a que os hotéis de 4 e 5 estrelas, onde se exigem pessoas que falam inglês e francês na recepção, tenham também alguém que fale obrigatoriamente a língua local. Vamos imaginar que este hotel está em Cabinda, de 5 ou 4 estrelas: para além das duas pessoas que falam inglês ou francês tem de haver alguém que fale fiote. Vamos supor que quem nos visita vai querer saber na língua local algumas informações sobre a sua província, pois é uma forma de valorizarmos também aquilo que é nosso e a nossa cultura.

– Conhecemos o árduo trabalho e as dificuldades com que a sua direcção se tem debatido de uma maneira geral. A Turisangola tem escutado pelo País elogios ao trabalho do M.H.T mas também algumas críticas, a lentidão nas análises dos processos e o papel às vezes nada pedagógico relativamente às anomalias que por vezes a inspecção encontra e que, afirmam esses críticos, só sabem multar. A D.N.H.S concorda?

– Naquilo que tem a ver directamente com o nosso trabalho, devo dizer que saímos agora do 4º seminário nacional de licenciamento que houve em Benguela e dizer também que estes seminários têm saído desde o ano de 2007, no sentido de melhorarmos cada vez mais o nosso trabalho. Nós sabemos que somos prestadores de serviços ao público, então devemos colocar sempre o nosso público em primeiro lugar. Neste seminário definimos que temos que reduzir o máximo possível o tempo de espera, por exemplo, de emissão de um alvará. Decidimos também que a partir do próximo ano de 2015, vamos começar a descentralização dos empreendimentos de pequena dimensão e pequeno porte em termos de licenciamento e que Luanda foi então eleita como a província de experiência piloto. Quer dizer que o licenciamento ou descentralização vai começar por Luanda, antes de abranger o País no seu todo. Portanto, tudo isto para melhorar os nossos serviços. Os críticos que nos critiquem directamente e sabemos que é com as críticas que nós melhoramos, portanto em termos de trabalho pensamos que estamos a fazer o nosso melhor para prestar um serviço melhor, mas as críticas são bem-vindas. Quanto à inspecção, eu não sou da área da inspecção, mas devo dizer que um esforço está a ser feito no sentido de se melhorar os trabalhos. Tem havido inspecções pedagógicas antes de qualquer multa, mas se há qualquer falha neste sentido, também nós temos um livro de reclamações nos empreendimentos. Sei que isso não é dirigido aos operadores em si, mas aos hóspedes do hotel, mas aqueles que acham que a actuação dos nossos inspectores não tem sido aquela que esperavam podem escrever tanto ao Ministro como ao Inspector Geral, creio que não haverá problemas, também vamos res- ponder a isso.

– Qual é a maior preocupação da sua direcção neste momento?
A nossa maior preocupação do momento é a construção anárquica de empreendimentos hoteleiros e similares, sem a observância dos pressupostos da lei, o que tem provocado o crescimento desordenado da rede hoteleira e similar e prejudicado grandemente o ordenamento turístico do País, assim como a uniformização da classificação dos respectivos empreendimentos. No entanto e com vista a inverter a situação, o IV Seminário Nacional de Licenciamento de Empreendimentos Hoteleiros e Similares, realizado na cidade de Benguela, de 15 a 19 de Setembro, fez constar como sua primeira recomendação, o cumprimento rigoroso e integral do despacho n-089, de sua Excelência o senhor Ministro da Hotelaria e Turismo, por parte dos directores provinciais da hotelaria e turismo, no domínio da implantação de empreendimentos hoteleiros e similares, que orienta o não licenciamento dos empreendimentos erguidos sem observar a lei, porque pensamos que já basta de acções meramente pedagógicas.

– Para finalizar, quando se realizará uma campanha do M.H.T no sentido de sensibilizar a população e todos os que labutam nesta indústria da paz para a importância da hotelaria e do turismo?

– Essa é uma pergunta extremamente importante, porque sabemos que o Turismo é uma actividade multisectorial, que implica responsabilidade de turnos e se nós não sensibilizamos a população, as autoridades mesmo, dificilmente o Turismo poderá ser uma actividade desenvolvida. Porque para que este Turismo possa existir como deve ser, é preciso que se crie na mentalidade das pessoas aquilo que nós chamamos de cultura turística. Daquilo que eu sei e do nosso plano director, isto está programado e a qualquer momento isto poderá começar, mas também esta sensibilização não é só ir à rádio nacional falar de turismo ou outros. Mas mesmo um simples seminário sobre o sector hoteleiro já é uma sensibilização, quer dizer, o facto de fazer o que nós fizemos agora em Benguela, ao levarmos todos os nossos directo- res provinciais, ao falar sobre a importância do sector e o tratamento a dar aos nossos parceiros que nos procuram ou que procuram os nossos serviços, já é uma forma de sensibilizar, quer dizer que no fundo a sensibilização já começou, mas aquela mais abrangente poderá chegar a qualquer momento.

Entrevista gentilmente cedida por: Turisangola - Jornal Turismo de Angola


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