De "rosto lavado", Lubango soma 97 anos

Morais Silva (Angop)
Morais Silva (Angop)

Lubango - A capital da província da Huíla, Lubango, assinalou, neste domingo (31), um percurso de 97 anos de história, desde que ascendeu à categoria de cidade.

A efeméride é celebrada numa altura em que, finalmente, a cidade exibe nova imagem e renasce das "cinzas" do passado, com ganhos notáveis em vários sectores estratégicos.

A "Cidade do Conhecimento", nome que adoptou em 2007, ou "Jardim de Angola", como era conhecida entre os anos 70 e 90, está renovada e de "rosto lavado".

Apesar do momento económico menos bom que o país atravessa, desde finais de 2014, agudizado pela Covid-19, Lubango vê repostas, aos poucos, as infra-estruturas sociais.

Desde 2017, os encantos da cidade começam a evidenciar-se, graças às obras de requalificação que o governo local decidiu abraçar, com "nervos de aço".

A nova estrutura urbana, com maior visibilidade às ruas e alguns edifícios, mostram  outra fotografia da cidade, diga-se, de passagem, bem mais atraente.

De ano em ano, a antiga Sá da Bandeira deixa de parte os velhos problemas de mobilidade urbana, antes dificultada pela degradação das vias estruturantes.As obras de requalificação, iniciadas em 2017, trouxeram, pela primeira vez, infra-estruturas integradas que custaram ao Estado USD 212 milhões, 682 mil, 926,83.

Com mais de 80 por cento de execução, os trabalhos abrangem um raio de 100 quilómetros de infra-estruturas, entre estradas e equipamentos sociais.Abarcam ainda outros 17 Km de rede de abastecimento de água potável à nova centralidade da Quilemba, assim como arranjos em unidades de lazer.

São, na essência, 31 ruas reabilitadas, a maior parte delas no casco urbano.As obras em causa vieram valorizar a imagem dos bairros periféricos, tais como a Machiqueira, Ferrovia, Mitcha, Mapunda e Tchioco, só para citar alguns.

De igual modo, no jardim defronte à sede do Caminho-de-ferro de Moçâmedes há novos equipamentos sociais, e o centro da cidade, bem ao pé da Sé Catedral, está um novo conceito de cidade, com a reconversão de ruas estreitas em espaços de lazer.

Mais habitações

Também com orgulho, os habitantes deixaram de reclamar dos amontoados de lixo, que parece terem passado à história, graças a um novo modelo de recolha porta-a-porta.

O trabalho é feito regularmente, com apoio de mais de cem motorizadas de três rodas.Face ao crescimento demográfico, o governo investiu em novas habitações, como a centralidade da Quilemba e da urbanização da Eywa, que ajudaram a desmobilizar bairros à base de casas de lata e adobe, erguidas em zonas nobres na época de guerra.

É o caso dos bairros Walha-Wenda, Camazingo e Xota, cujos habitantes vivem em condições mais dignas nesses outros conjuntos habitacionais.

Entretanto, há necessidade de "apertar" a fiscalização ao trabalho dos moto-taxistas e taxistas, nessas urbanizações, já que alguns ainda vandalizam os novos equipamentos, sobretudo passeios e sinalização vertical de trânsito.

Nesse novo paradigma, a restauração de jardins e a reposição da sua cintura verde são facto na Huíla, sobretudo nas novas avenidas nascidas com as obras de requalificação.

Noutra vertente, o Programa de Desenvolvimento Integrado do Sector das Águas (Pdisa), lançado em Março de 2016, permitiu a construção de uma linha de 140 Km de rede, para 20 mil novas ligações domiciliares, estando já na forja a sua segunda etapa.Quanto à energia eléctrica, continua a ser um problema, apesar das melhorias.

A cidade conta com mais duas subestações, somando agora quatro.

Todavia, as autoridades locais indicam que o problema só estará totalmente resolvido com a chegada da nova linha que vem de Laúca, que passará pelo Huambo e chegará à Huíla, via Chipindo, na divisão com a Caála.

 Conquanto, um dos notáveis ganhos da administração do Estado, nos novos tempos, é o combate às construções anárquicas.No âmbito do programa de auto-construção-dirigida foram entregues mais de 100 mil lotes de terras de 1000 metros quadrados, nos últimos dez anos. 

Também na saúde, o município está bem servido. Conta com uma rede sanitária de mais de 100 unidades, com realce para o Hospital Geral Agostinho Neto, com 520 camas, e uma central de referência que assume agora o papel de Hospital Universitário.

Na educação, o Lubango é, desde 2007, o signo de "Cidade do Conhecimento", denominação que "caiu como luva", porquanto, além do clima favorável, conta com uma rede escolar do ensino de base ao superior.

A rede é constituída por mais de cinco mil instituições, que já conseguem, de alguma forma, dar resposta às necessidades actuais do Lubango.

Aliás, foi uma das primeiras cidades do interior a ter ensino de segundo grau (liceu), não só o Liceu Nacional Diogo Cão, mas também a Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva e o Instituto Agrícola do Tchivinguiro (agora faz parte da Humpata).

Chamada "Sá da Bandeira" até 1975, a cidade acolhe a sede da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, que, com outras cinco privadas, perfazem uma rede de seis instituições de ensino superior, onde estudam perto de 15 mil pessoas.

Curiosidades do Lubango

A sua localização geográfica, sudoeste do país, limitado pelos paralelos 13 graus e 15 minutos e 16 graus e 30 minutos a sul, assim como pelos meridianos 13 graus e 30 minutos e 16 graus a leste, torna a cidade num ponto de confluência de turistas.

O Monumento de Cristo Rei, a Fendas da Tundavala, as Águas Cristalinas da Cascata da Huíla, a Serra da Leba (esta última embora pertencente ao município da Humpata, o seu sucesso é feito a partir do Lubango) são, sem sombra de dúvidas, os cartões-de-visita desta urbe.

Pólo de desenvolvimento da província da Huíla, por excelência, o Lubango é limitado a norte pelos municípios de Quilengues e Cacula, a leste por Quipungo, a sul pela Chibia e a oeste pela Humpata e Bibala (Namibe).

O seu clima é tropical de altitude, a temperatura média anual ronda aos 20 graus centígrados, sendo Julho o mês mais frio e Novembro o mais quente.A média pluviométrica anual é superior a 1000 milímetros, o que faz a vegetação predominante ser baseada em árvores carnudas que surgem no meio de ervas rasteiras, próprias de regiões de transição para o deserto.

A etnia prevalescente é o subgrupo étnico Ovamuila, do grupo Nhaneka-Humby, que vive disperso em pequenas aldeias.O primeiro contacto europeu com pessoas da região data de 1627. Embora a soberania portuguesa tenha começado apenas em 1769, foram os holandeses que deram os primeiros sinais de povoamento europeu, por volta de 1880.Os portugueses da Madeira fundaram, em Janeiro de 1885, a colónia de Sá da Bandeira, que a 31 de Maio de 1923 atingia à categoria de cidade, depois do comboio ter escalado a urbe, vindo do Namibe.

A zona dos Barracões, hoje com nova imagem, constitui o "berço" da cidade, porquanto, foi naquele local onde se construíram as primeiras cubatas, cujo formato era semelhante a de barracões.Mais de duzentos madeirenses constituíram o primeiro grupo a instalar-se naquela paragem, fazendo jus à política de colonização. O propósito fundamental era instalar uma colónia, alem da já existente, no planalto da Chela.Entre as colónias agrícolas mais antigas destacavam-se a Alba Nova (1769), actual comuna da Huíla, da Humpata (1882).

Consta que estas colónias foram as primeiras tentativas de portugueses fixarem-se por estas áreas, com terras bastantes férteis.

Com uma superfície territorial de três mil 140 quilómetros, o município do Lubango foi concebido para 50 mil habitantes. Passados 97 anos, desde que ascendeu à categoria de cidade, alberga hoje mais de um milhão, de cordo com projecções do INE para 2020.


Fonte: angop


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