COVID-19: VIAJAR OU CANCELAR? TUDO O QUE PRECISA SABER PARA TOMAR UMA DECISÃO SENSATA

COVID-19: VIAJAR OU CANCELAR? TUDO O QUE PRECISA SABER PARA TOMAR UMA DECISÃO SENSATA

NOTA : Este é um artigo publicado em Portugal. Pensamos ser interessante e esclarecedor, pelo que partilhamos o mesmo.



NOTA DA AUTORA: este é um texto escrito por uma viajante profissional, com algumas (não todas) indicações partilhadas pelo Dr. Diogo Medina, da Consulta do Viajante. Todos os dados foram verificados à data da escrita – 1 Março 2020. As informações sobre este tema estão em constante atualização. Se vais viajar, revê as informações juntos das entidades oficiais (links no final do artigo), e faz a marcação da tua consulta do viajante para um acompanhamento médico devidamente personalizado.

Foi no final de Janeiro que o cenário começou a ficar preocupante: este novo coronavírus começou em Wuhan, uma das mais importantes cidades na China, e rapidamente ganhou proporções respeitosas. A proximidade do início do surto com a data do ano novo Chinês – a maior migração humana anual – fez com o que tivessem que ser tomadas medidas drásticas de imediato. Cidades inteiras em quarentena, escassez de mercearias e outros bens de primeira necessidade, controlo de população exímio em números só possíveis na China – Wuhan, por exemplo, tem tantos habitantes como Portugal inteiro.

Desde então, têm-se multiplicado as restrições de viagem por todo o mundo, fronteiras que fecham, de um dia para o outro, transportes suspensos, novas regras de entradas e saídas de cada país, vistos invalidados. Todos os dias somos alimentados por notícias e atualizações constantes, tal como mitos e relatos de diferentes perspetivas.


COVID-19: viajar ou cancelar? Tudo o que precisa saber para tomar uma decisão sensata
créditos: Unsplash

Mas e se, mesmo assim, eu quiser viajar?

Na minha posição de “viajante profissional”, sempre defendi que não devíamos opinar num assunto que não nos diz respeito – neste caso, sobre a área da saúde. Mas há muito que isto deixou de ser um caso exclusivamente de saúde, e aí, sinto que estou numa posição privilegiada por ter amigos e manter relações profissionais com pessoas nos epicentros do surto, devo servir de algum tipo de referência para outras pessoas. E de ressalvar também que já daqui a umas semanas sigo numa viagem de dois meses, com passagem pela China.

COVID-19: quem és tu?

A fotografia de um coronavírus ao microscópio é tão linda que nem parece real. Um pequenino globo florido (o aspeto coroado que lhe dá o nome de “corona”), azul, tal como o nosso planeta. No entanto, é ainda todo um novo mundo por descobrir. É bonitinho ao microscópio, mas, sem dúvida, é algo que não queremos com livre trânsito no nosso sistema.

COVID-19: viajar ou cancelar? Tudo o que precisa saber para tomar uma decisão sensata
créditos: Cortesia CDC

Mas coronavírus há muitos: a nossa “gripe comum” é um coronavírus. No último inverno, matou 3331 pessoas em Portugal.

O MERS (Síndrome Respiratório do Médio Oriente) e o SARS (Síndrome Respiratório Agudo Grave), em 2012 e 2003 respetivamente, reclamaram 1632 vidas.

A maioria das pessoas infecta-se com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo uma causa comum de infecções respiratórias brandas a moderadas de curta duração.

O vírus é transmitido através de partículas eliminadas pela tosse, espirro ou fala de indivíduos infetados. A doença pode provocar sintomas como febre igual ou superior a 38ºC, tosse ou dificuldade respiratória.

Outros tipos de vírus já destabilizaram o mundo e os viajantes, como o vírus H1N1 – mais conhecido por Influenza A ou Gripe A – em 1978 na Rússia e em 2009 a nível global. O mais fatal de todos foi mesmo o vírus da gripe espanhola (também da família H1N1), que há 100 anos dizimou cerca de 50 a 60 milhões de pessoas pelo mundo fora.

Para melhor compreensão do que é o COVID-19, podem ver o vídeo publicado pela OMS em https://youtu.be/3MkRE2rG4Ok

Vamos todos morrer?

COVID-19: viajar ou cancelar? Tudo o que precisa saber para tomar uma decisão sensata
créditos: DR

A resposta é: sim, vamos. Mas dificilmente será devido ao COVID-19. As tendências atuais apontam para que a taxa de mortalidade nesta data, ande a rondar os 0,7% do número de casos confirmados, e é aqui que a coisa fica difícil de explicar: é que na grande maioria dos casos ditos confirmados, os portadores do vírus são assintomáticos. Isto quer dizer que não manifestam nenhum dos sintomas de alerta. Na grande maioria, os sintomas são tão leves, que se confundem com uma simples constipação.

O problema parece ser a taxa de propagação do vírus, e as consequências do mesmo em pessoas de idade avançadas ou com saúde debilitada por outras doenças graves. O que me parece desmedido é os números, quando comparados com outros, e a desmedida histeria que se tem visto à volta desta situação.

Numa era da informação e tecnologia, há muita ingenuidade. Numa corrida desenfreada às máscaras e géis desinfetantes, há que relembrar as pessoas que nada é mais eficaz do que velho ritual de lavar bem as mãos, não mexer na cara e não espirrar para o ar. Parece que tenho a minha a voz da minha avozinha a relembrar-me constantemente das regras básicas de saúde, mas a moda e ilusão de proteção por uma máscara de papel parece ser mais apelativo. Continuo a acreditar que é por ser mais instagramável, afinal lavar as mãos certamente não dá tantos likes!

De tanta notícia fatalista, há três artigos que ressalvo: a curta entrevista ao Dr. Jorge Torgal, o incrível artigo de Ross Clark para o The Spectator e o espetacular artigo do neuro-virólogo José António López Guerrero publicado no El Cultural.

O que é que eu devo fazer para me prevenir?

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Lavar bem as mãos créditos: DR

Como referi acima, tem havido uma cega corrida às máscaras, em Portugal e no mundo. No entanto, as máscaras aqui provam-se inúteis na prevenção, e devem apenas ser usadas quando temos sintomas e queremos prevenir a transmissão a terceiros. A DGS publicou um vídeo que ajuda bastante, que podem ver aqui: https://youtu.be/MJmWJyWywIU

  • Evitar o contacto direto com pessoas doentes. Dizem que a distância de segurança é de 1m, por isso nada de abraços nem beijinhos.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com mãos não lavadas;

O contágio está provado que não é apenas através dos espirros, tosse ou fala direta (menos de 1m de distância, dificilmente alguém projeta “gafanhotos” a mais de 1m!), mas também pode ocorrer através de superfícies para onde a pessoa infetada tenha espirrado, ou tocado com as mãos depois de espirrar para as mãos, por exemplo. Por isso, é muito importante:

  • Lavar as mãos com frequência com água e sabão, durante pelo menos 20 segundos – o tempo de cantarmos os “Parabéns”! Eu optei por guardar vídeos no YouTube de parabéns em várias línguas, assim não só estou a zelar pela minha saúde como também estou a aprender algo novo sempre que lavo as mãos – se quiserem seguir a minha sugestão partilhem qual a língua que escolheram. Deixo-vos a sugestão dos “Parabéns” em mandarim - https://youtu.be/IGHfPrIYngg?t=62
  • No caso de não ser possível lavar as mãos, usar um desinfetante à base de álcool;
  • Espirrar ou tossir para um lenço descartável deitado imediatamente ao lixo, ou alternativamente para o cotovelo (na direção do cotovelo, vá, não queremos ninguém a ir parar às urgências da ortopedia com um ombro deslocado)

O uso da máscara apenas se houver sintomas respiratórios (para evitar uma possível transmissão a terceiros), ou se for aconselhado a fazê-lo por um profissional de saúde.

Sintomas do COVID-19 – o que fazer?

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créditos: DR

A doença pode provocar sintomas como febre igual ou superior a 38ºC, tosse ou dificuldade respiratória – regra geral, são os mesmos sintomas de uma gripe comum, que podem agravar para uma pneumonia.

Lembra-te das recomendações dadas pelo teu médico da Consulta do Viajante.

Se estiveres em Portugal, deves ligar à linha de Saúde24 808 24 24 24 se nos 14 dias após regressar de um país afetado sentires tosse, dificuldade em respirar ou febre igual ou superior a 38ºC.

Se estiveres em viagem, contacta de imediato o número de serviço de saúde do país em questão e a tua seguradora. Caso o contágio tenha sido positivo, deves contactar de imediato a Embaixada ou Consulado competente ao país em que estás – estas informações devem ser agrupadas antes do início da tua viagem, e encontra-las no site do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O meu seguro de viagem protege-me nestas situações?

Cada caso é um caso, e sem dúvida que terás que ver isso com a tua seguradora, mas em linhas gerais a resposta é não, não te protege. Em casos de transportes e alojamentos, o teu seguro deve cobrir apenas se tiveres feito as reservas antes do aviso de constrangimentos ou restrições do país em questão, e se por essa altura já tivesses adquirido igualmente o teu seguro de viagem.

Normalmente, se fizeres a reserva numa altura em que já existam constrangimentos ou restrições, ou se comprares o teu seguro de viagem depois de fazeres as reservas e / ou depois dos avisos, o mais provável é que não te cubra essas despesas.

Por outro lado, em caso de doença, os mesmos princípios se aplicam: se vais viajar para um local que hajam recomendações ou restrições, não estarás coberto pelo seguro – algumas seguradoras aqui abrem a exceção a doenças graves como cancro ou doenças altamente contagiosas, mas cada apólice e caso é único. Informa-te bem antes de ires viajar e lembra-te que é sempre uma decisão tua.

Cancelamentos, suspensões, alterações nos itinerários

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créditos: Pixabay

Pode acontecer que o teu itinerário seja abruptamente alterado devido à suspensão / alteração dos meios de transporte, atividades ou mesmo dos alojamentos. Antes de partires de viagem, deves estar atento às rotas e regras de entrada e saída em cada país – podes consultar a lista atualizada no site da IATA.

Atenção porque as viagens reservadas através dos sites de reservas “baratos”, como a Rumbo ou a eDreams, podem significar que não têm, direito a reembolso, visto muitas vezes as compras aqui não estarem cobertas por um seguro / políticas de cancelamento. Nestas situações, tentem reaver o valor junto das companhias de seguro de viagem, ou através do seguro do cartão de crédito com que fizeram a compra.

Mesmo assim, eu quero ir viajar!

Eu penso como tu, e mantenho os meus planos de viagem. Por isso, eis as 6 dicas-chave para viajar bem-sucedido no meio de tantas contrainformações:

1. Vê com atenção todos os links abaixo! Tenta perceber não só a veracidade da informação, mas também a qualidade do conteúdo da mesma. Muitas das notícias que nos rodeiam são sensacionalistas, e tem havido uma propagação desmedida do medo à volta do assunto.

2. Se não tens um plano de viagem delineado, faz pelo menos um esboço dos sítios onde provavelmente irás passar. Aponta os contactos de emergência desse país, bem como as moradas das embaixadas ou consulados relevantes.

3. Escolhe um bom seguro de viagem, e informa-te das suas limitações para viagens em situações como esta. Se falares por telefone pede que te enviem por escrito a informação requisitada – podes precisar de provas de seguro mais tarde.

4. Agenda a tua consulta do viajante, de preferência para 4 a 6 semanas antes de viajar. Se estiveres a menos de 4 semanas da partida, não faz mal, marca à mesma – a consulta do viajante online tem a mais-valia de não teres que te deslocar fisicamente, podes fazê-la em qualquer lado.

5. Usa o teu bom-senso! Se não te sentires confortável a ir, não vás. Se houverem muitas restrições de viagem para o teu destino, não vás! Agora, se ainda falta muito tempo para a tua viagem, deixa “a poeira assentar” – a tendência é que as coisas melhorem muito em breve. Ninguém melhor que tu próprio para fazer a avaliação da situação. Não há certo nem errado, cada caso é um caso.

6. Prepara-te para o improviso. As coisas têm mudado diariamente, e são mudanças abruptas. O viajante que estiver preparado para o imprevisto, é o que vai disfrutar mais da viagem. Não deixes que a mudança de planos repentina afete a tua experiência.

Links importantes a ser consultados antes de viajar

• CDC (Centre of Disease Control and Prevention)
https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/travelers/index.html
- informações atualizadas para viajantes

• Consulta do Viajante
https://www.consultadoviajante.com/viajantes.html
- ver “coronavírus”

• DGS (Direção Geral de Saúde)
www.dgs.pt/corona-virus
- para informação aos utentes no território nacional

• European Centre for Disease Prevention and Control
https://www.ecdc.europa.eu/en/novel-coronavirus-china
- informações atualizadas sobre o COVID-19, especifico para a Europa

• IATA (International Air Transport Association)
https://www.iatatravelcentre.com/international-travel-document-news.htm
- Informação atualizada sobre as restrições de entrada e saída de cada país (ver “coronavírus update”)

• John Hopkins CSSE
https://gisanddata.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6
- mapa com a distribuição dos casos COVID-19 atualizado ao minuto

• Registo do Viajante (Ministério dos Negócios Estrangeiros)
https://www.portaldascomunidades.mne.pt/pt/registo-do-viajante
- recomenda-se a todos os que vão viajar, que façam o registo antes da viagem. Também podem optar por instalar a aplicação no telemóvel

• WHO (Organização Mundial de Saúde)
https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019
- para informações e recomendações oficiais ao nível mundial



Fonte: https://viagens.sapo.pt/planear/dicas/artigos/covid-19-viajar-ou-cancelar-tudo-o-que-precisa-saber-para-tomar-uma-decisao-sensata




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