Historia de uma viagem - 1ª Parte

Foto: Jorge Nunes
Foto: Jorge Nunes

Resumo de uma Viagem com o Circuito Benguela \ Lobito \ Huambo \ Menongue \ Cuchi \ Cuito Canavale \ Lubango \ Benguela

Primeiro dia de viagem - 23-01-2019

5:30 da manhã, saio da cidade de Benguela rumo ao Lobito. A viagem de carro tem uma distância aproximada de 25 km e a estrada está em perfeitas condições.

Ao passar pelo Rio Cavaco nota-se alguma humidade no ar, a temperatura está agradável e deve rondar os 24 graus.

Uma viagem calma especialmente até a cidade da Catumbela, onde na penumbra das 6h da manhã se começa a ver algum frenesim. Os táxis fazem os seus circuitos entre as cidades de Lobito e Benguela, as motorizadas transportam as verduras para a praça e o pescador lança a rede ao rio Catumbela.

Catumbela essa cidade histórica, do tempo da açucareira, do tempo dos escravos, do tempo das rotas coloniais. Numa altura em que esta cidade era mais importante do que a cidade Lobito. O Lobito nem existia, visto que começou a ser construído pela necessidade de criar um porto. 

Construiu-se na zona da restinga o porto de águas profundas que veio a tomar o nome de Porto Comercial do Lobito, isto no início dos anos 1900.

Cheguei à estação do Lobito onde me aguarda um funcionário do CFB (Caminho de Ferro de Benguela).

A minha espera está também um operador turístico que me acompanhará até ao Huambo.

Enquanto caminhamos a pé até ao nosso lugar no comboio, posso deliciar-me com a vista de uma composição de um comboio antigo (carruagens de 1927), que actualmente fazem parte das composições históricas que fazem o passeio turístico entre as cidades do Lobito e de Benguela.

Nosso lugar é numa carruagem de 1ª Classe e com indicação de que posso circular livremente por todo o comboio.

Já passa das 07 horas da manhã, estamos a espera que o Comboio arranque (previsão de partida as 07h30), mas continuam a chegar pessoas.

No horário está indicado que os passageiros devem chegar até as 6h30 da manhã, afim de acomodar todas as pessoas e mercadorias.

Nota-se o porquê do o CFB ter 1h de tolerância para as pessoas entrarem.

Partimos à hora marcada 7:30h da manhã .

Partir do Lobito é ver a estação antiga , ver várias composições ali depositadas (porque não fazer um museu?), é passar pelos mangais do Lobito, é entrar na Catumbela e passar pelo seu rio e poder observar as aguas a correrem para o mar.

Vou apreciando a viagem ao ponto que as fotografias vão ficando por tirar (também não é fácil pois a carruagem não tem vidros para abrir).

1 hora de Viagem, a paisagem começa a ser totalmente diferente, deixa de ser uma paisagem arida e passa a ser uma paisagem totalmente verde, estamos a subir o planalto e uma das coisas que se nota, e que, me mete a pensar é na forma de construção deste caminho.

Nos anos de construção não deve ter sido fácil partir e remover a quantidade de pedra que daí foi tirada. As pontes que foram construídas são outra das obras que me faz pensar em como deve ter sido duro este trabalho.

Neste momento a viagem esta tranquila, o comboio vai sempre a uma velocidade constante abrandando em algumas estações, mas não parando em nenhuma.

Dizer que a viagem é agradável, a primeira classe sempre climatizada, as casas de banho por incrível que pareça estão sempre limpas com papel higiénico e com condições o que faz com que a viagem poça ser interessante.

A nível de alimentação existe um serviço básico de bar onde se pode comprar facilmente uma água, Coca Cola, etc. 

As bebidas nacionais estão bem representadas, sendo que também temos a possibilidade de pedir sandes, alguns snacks e refeições rápidas.

Uma das coisas que me surpreendeu é que o comboio estava cheio, principalmente nas 2ª e 3ª classes, transportando também algumas mercadorias, nomeadamente farinha e adubos que pouco a pouco iam sendo deixadas nas paragens a pessoas que esperavam pelas mesmas.

Entre o Lobito e o Cubal toda a descida e subida leva-me a ver vales imensos onde os rios circulam entre as montanhas e o verde da vegetação nos contagia. A paisagem vai mudando de árida para verdejante, as arvores e as flores vão dando um colorido, nota-se também que em alguns locais com palmeiras, embondeiros, terra mais plana e também com água, são o conjunto de condições para criação de pequenas aldeias compostas por pessoas que vivem essencialmente da agricultura e produção de carvão.

SACOS DE CARVÃO são um problema a nível nacional porque as matas são cortadas, mas a produção de carvão acaba por ser uma das poucas fontes de rendimento e de subsistência das famílias locais.  

Compete-nos a nos mostrar que eles podem “fazer” dinheiro com outro tipo de atividades.

 

CUBAL


O Cubal e a sua estação surpreendem porque tem uma paisagem preenchida por sucatas dos caminhos de ferro, o que faz com que possa ser visto como um atrativo a nível turístico.

Locomotivas antigas, vagões, carruagens, são alguns dos atrativos históricos do CFB que podemos encontrar, mas não é só isto pois a estação e seus armazéns, as casas com arquitetura colonial que se encontram ao longo da linha, a paisagem e as cores fazem com que queira voltar só para as poder apreciar ao detalhe.

Aqui se demora algum tempo, pois é hora de descarregar algumas encomendas que vêm destinadas.

Dizem-me que posso sair durante 15 minutos para apreciar e se quiser fotografar.

Fantástico, sem pedir fizeram-me a vontade.


Hora de partir rumo à Ganda

Entre o Cubal e a Ganda foi só apreciar a paisagem e desfrutar.

Estava ansioso para que o comboio chega-se à Ganda, pois tinha autorização para fazer a viagem restante na locomotiva.



SUBIR O LEPI NA LOCOMOTOVA ERA UM DESEJO

Ser conhecido tem as suas vantagens e pude fazer a viagem na locomotiva.

Continuem a acompanhar

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